Adega CooperativadeTomar
Há mais de 50 anos a produzir bons vinhos

Constituída a 22 de Junho de 1957 e tendo iniciado actividade em 1965, a Adega Cooperativa de Tomar conta com 800 sócios, oriundos duma área que engloba os concelhos de Tomar, Torres Novas e, as freguesias de Chãos (em Ferreira do Zêzere) e Alburitel (concelho de Ourém). Em 2007 celebrou 50 anos de vida e lançou um vinho comemorativo.

Reportagem: Patrick Neves o Fotos C.M. Tomar

A Adega Cooperativa de Tomar produz vinhos cuja proveniência advém em cerca de 75% das explorações vitícolas dos seus associados, nas áreas geográficas citadas. Anualmente, a produção recebe entre os 4 e os 4,5 milhões de kg de uvas brancas e tintas, o que resulta em 3,5 milhões de litros de vinho. A predominância de solos argilo-calcários e um microclima propício fazem com que as castas encontrem habitat adequado, dando origem a vinhos de reconhecida qualidade e muito bem aceites. Baga, Camarate, Periquita, Trincadeira Preta, Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda e Touriga Nacional para vinho tinto, e Arinto, Alicante Branco, Chardonnay, Fernão Pires, Malvasia, Tália, Trincadeira das Pratas e Rabo de Ovelha para o branco.

Vinhos já premiados
Os vinhos têm sido reconhecidos ao longo dos anos e recebido inúmeras medalhas em certames nacionais e internacionais. A variedade de néctares, e a vontade em satisfazer a necessidade dos seus clientes, tem encontrado inúmeros adeptos que, à escolha, têm as marcas Convento de Tomar, Ordem do Templo, Açude dos Frades, Charola, Dom Gualdim, Capítulo e o mais recente 7 Montes. Acrescente-se o licoroso e a aguardente Padrão.
Os tintos são obtidos mediante a fermentação do mosto extraído de uvas pretas no qual é imperativo que haja maceração das cascas, com a finalidade de se atribuir cor e sabor à bebida. A cor obtém-se de acordo com a forma como as cascas são usadas, sendo necessário que descansem no mosto (maceração). A intensidade da cor depende do tipo de uva empregue na fabricação e do tempo de maceração.
O vinho branco também resulta da fermentação do suco e maceração, enquanto que o rosé já tem um curto contado das cascas do mosto para lhe atribuir um leve toque rosado, de cor e sabor levemente tânico na boca.
A aguardente velha Padrão, obtida a partir de uvas de vinho e de alto teor alcoólico, usa um processo semelhante ao do conhaque francês, sendo envelhecida em pipas de carvalho, tomando uma coloração amarelada e um sabor e aroma característicos.
O abafado, auferido dum vinho que interrompeu a fermentação através da adição de aguardente (ou álcool vínico), permanece doce, uma vez que o açúcar natural da uva não se transforma em álcool. Ainda assim, apresenta um elevado teor alcoólico.

Vinho comemorativo dos 50 anos
Para comemorar o 50º aniversário, a Adega editou em 2007 1100 garrafas numeradas dum lote especial tinto da colheita 2006, com 13% de álcool. As garrafas têm a particularidade de ter o rótulo pintado no vidro e, actualmente, a loja da adega ainda dispõe de 350 para venda. Nesse ano também foram lançados em Julho, pela primeira vez, dois vinhos Tabuleiros, tinto e branco, alusivos à festa que anima a cidade de Tomar. Em edição limitada, foram produzidas 11000 garrafas de tinto e 8000 de branco, sendo que o rótulo mostra uma figura duma rapariga a desfilar na Festa dos Tabuleiros bem como um monumento da cidade. Segundo Carlos Silva, administrador da adega, “este vinho é vendido a um preço muito apelativo, 2,5 euros (+ IVA), e trata-se duma homenagem a Tomar que, eventualmente, poderá ser repetida em 2011. Os hipermercados da zona incluem-no nas suas prateleiras sendo que o fornecimento é feito directamente, sem recurso a distribuidor”.

Nova marca: 7 Montes
Aproveitando a realização do Congresso da Sopa em Maio de 2008, a adega editou o vinho regional tinto 7 Montes, com 12,5% de álcool, numa edição limitada e numerada de 3333 garrafas. “O número não é ao acaso” declarou Carlos Silva. “Cada cuba de vinho tem 2500 litros o que, a dividir pela quantidade de cada garrafa, 7,5 dl, dá esse número. A receptividade foi tão boa que repetimos a experiência em Maio de 2009, lançando o branco, elaborado bem ao gosto do público”.

Dias difíceis
Questionado acerca da actual situação da adega, Carlos Pais não escondeu “os dias difíceis que têm sido vividos quer devido ao ano económico mas também a uma certa desmotivação que existe internamente”. “A agricultura neste país encontra-se muito desprotegida e as pessoas estão a abandonar as vinhas”, advertiu o administrador afirmando que “a loucura tem limites”.
Para reverter esta tendência, “a cooperativa encontra-se a lutar pela afirmação duma nova imagem, através de acções de marketing e promovendo a sua loja, localizada no edifício novo inaugurado em 2003. O Natal também tem sido uma época positiva pois permite que as instalações sejam visitadas por alunos de escolas locais, tal como na altura das vindimas em que eles são transportados num mini trem fazendo uma visita guiada que explica todo o processo de fabrico do vinho”.
Para além destas acções, a enóloga Teresa Nicolau tem feito no Instituto Politécnico de Tomar apresentações com projecção de slides e prova de vinhos, bem como visitas guiadas à adega pela Escola Superior de Hotelaria local e alguns grupos estrangeiros, promovidas em conjunção com a Região de Turismo de Lisboa e Vale do Tejo. O 7 Montes foi apresentado na sede desta entidade, juntamente com vinhos de 7 produtores locais, aliado à gastronomia de 8 restaurantes que sugeriram no máximo dois pratos.

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