Quinta dos Penegrais
A boa expressão da vinha no meio do pinhal

No Lugar da Serra em Alcobertas, Rio Maior, a Quinta dos Penegrais vive do esforço do produtor António Carvalho Machado e os seus dois filhos que, em 400 hectares, produzem vinho de qualidade, exploram um pinhal e uma suinicultura. Rafael Neuparth é o enólogo de serviço, assinando vinhos com características ímpares que têm merecido a atenção dos entendidos.

Reportagem: Patrick Neves

Diferindo da topografia tradicional do Ribatejo, a Quinta dos Penegrais, que fica já numa zona apelidada de Estremadura Ribatejana, estende-se por montes e vales numa área total de 400 hectares dos quais 30 estão reservados à vinha. Em Arruda dos Pizões, a especificidade do terroir, com clima ameno (de dias quentes mas noites frescas), e a presença da floresta junto às cepas imprimem características peculiares aos vinhos aqui produzidos, provenientes de plantações existentes desde 1998 que têm vindo a ser potenciadas e desenvolvidas. Nos últimos anos, o proprietário tem feito diversos investimentos no sentido de aumentar e melhorar a produção, tendo já adquirido grandes cubas em inox e dispondo dum eficaz sistema de prensagem, fermentação, controle de temperatura e vinificação em geral. Recentemente também melhorou as condições do armazém, do sistema de frio e construiu uma agradável sala de provas, na qual expõe orgulhoso os seus vinhos, entre os quais o vinho regional Alicante Bouschet Tinto 2006, medalha de Ouro e Excelência no Concurso de Vinhos Engarrafados do Ribatejo 2008.

Preservar a qualidade da matéria-prima
Para além da manutenção das vinhas de 11 anos, actualizadas e dotadas de castas de qualidade, António Carvalho Machado tem vindo a plantar mais alguns hectares (inclusive numa quinta no Cartaxo recentemente adquirida) tendo em vista um ligeiro aumento da produção. No entanto, tal como referiu à Nectar, “enologicamente, o objectivo é preservar a qualidade da matéria-prima obtida das vinhas pelo que, a par dum controle foliar, se procede a uma constante análise dos solos (para ver a evolução dos nutrientes) e a rega. As uvas são todas desengaçadas à entrada da adega, com máquinas actuais que as danificam o menos possível, e o sistema de prensagem final apresenta excelentes resultados”.
Syrah e Alicante Bouschet são as castas que maiores índices de qualidade apresentam pelo que o produtor tem feito nelas uma grande aposta. Para além do lote Syrah/Alicante Bouschet já lançou um monocasta Syrah e “os investimentos e desenvolvimentos não ficam por aqui”.

Aposta nos tintos e brancos
Rafael Neuparth destacou que “António Carvalho Machado não tem parado de investir na adega desde que se iniciou na produção de vinhos até porque o produto tem boa saída e tem visto a sua qualidade reconhecida. Antigamente, o produtor já fazia boas uvas mas vendia-as a outra empresa, que deixou de as comprar, e foi assim que se começou a vinificar, engarrafar e vender sob o nome Quinta dos Penegrais”.
Relativamente a novas edições ainda este ano, a Quinta dos Penegrais prevê lançar as colheitas de 2008 de tinto em Bag-in-Box e em garrafa e encontra-se a aguardar que o branco de 2007 acabe para lançar a colheita seguinte (que está numa fase de filtragem e estabilização).
Quanto a novos projectos, “o produtor tem equacionado a feitura dum licoroso, talvez um moscatel” mas “a grande aposta é na qualidade dos tintos, principalmente das castas novas, e dos brancos, pois as pessoas pedem muito”.

A especificidade dos vinhos Quinta dos Penegrais
Apesar de apostar mais nos tintos, António Carvalho Machado e o filho Sérgio têm melhorado a produção de branco e equacionam mesmo plantar mais hectares. “Temos tido muitos pedidos e penso que isso se deve ao facto de termos vinhos muito frutados, nada oxidados, que têm um potencial de envelhecimento na garrafa ou em BIB de 2 a 3 anos. Na nossa perspectiva a colheita de 2006 ganhou em garrafa e a frescura imprimida pelo pinhal e o eucaliptal na vinha atribui ao vinho características específicas”, referiu o enólogo, acrescentando ainda “os benefícios da agricultura biológica, do sistema de rega a partir de Maio e da humidade existente no local devido à vegetação. O clima e a exposição solar é excepcional, sendo um local abrigado devido aos relevos existentes”.