Entrevista

José Pinto Gaspar
Presidente da Comissão Vitivinícola Regional Tejo (CVR Tejo)

“Já há vinhos no mercado com o selo de indicação geográfica Tejo”

Os vinhos ribatejanos têm desde o final de 2008 uma nova denominação de indicação geográfica – Tejo – que é o elemento modelador central dos terroir da região. No mercado já existem marcas devidamente identificadas e, tal como refere José Pinto Gaspar, a CVR está agora mais próxima dos agentes económicos na promoção dos seus vinhos.

Entrevista: Patrick Neves

Iniciado em Setembro de 2008, o novo perfil da CVR Tejo apresenta-se com contornos significativamente diferentes do anterior. Está mais vocacionado para a divulgação dos vinhos, para uma cooperação próxima com os agentes económicos e engloba 3 funções principais: a certificação dos vinhos em si, o seu controle e a promoção.
Nas palavras de José Pinto Gaspar, “no passado, a Comissão estava mais ligada à certificação e controle mas, esta nova direcção, através de dois grupos de trabalho, vocaciona a sua acção para a promoção e colaboração estreita com os agentes económicos, para que eles sintam que somos um parceiro activo na divulgação da nova marca Tejo”. Para a fomentar avançou com 3 iniciativas já aprovadas: um projecto da OCM (de promoção no estrangeiro), um projecto do CREN e um do SIAC (directamente ligado ao CREN e direccionado para a divulgação no mercado nacional). O investimento ultrapassa ligeiramente o milhão de euros e inclui um grupo de 12 agentes económicos, dos mais representativos na região, que lubrificam este motor de desenvolvimento. “Os rótulos com a nova denominação já foram aprovados e publicados em portaria e, neste momento, já existem no mercado vinhos com o selo de indicação geográfica Tejo”.

Porquê Tejo?
O presidente da CVR justificou a alteração dizendo que se trata duma decisão que “não foi tomada de ânimo leve e envolve vários factores. Primeiro, embora o Ribatejo seja uma marca muito forte nalgumas áreas, nomeadamente nos touros, cavalos, folclore e sob o aspecto agrícola, como indicação geográfica dos vinhos não o é. Antes pelo contrário, por vezes funcionava como despromoção da qualidade. Fizemos um estudo prévio de mercado na busca duma nova marca e Tejo, pela sua implantação na região e projecção do nome, quer nacional quer internacionalmente, demonstrou ser a mais favorável. O Tejo e os seus afluentes são o elemento modelador do terroir e, em termos vitivinícolas, desde a lezíria à charneca e ao bairro, todos são fortemente influenciados pelo rio”.
Recorde-se que esta foi uma decisão técnica, e não política, tomada por unanimidade do conselho geral, no qual têm assento 80% dos vitivinicultores (ou associações que os representam) da região. “Tal como em todas as decisões haverão certamente vozes discordantes, mas acredito que cheguem principalmente de outsiders do mundo do vinho e por questões políticas”, afirmou José Pinto Gaspar, recordando ainda as comparticipações de 65% a 75% a fundo perdido e a incidência em 4 grandes mercados externos: Angola, Brasil, Rússia e China. Chamou também a atenção para o facto de “em termos percentuais, e em relação ao número de amostras, os vinhos do Tejo têm recebido inúmeras medalhas em concursos nacionais e estrangeiros o que demonstra o esforço e a enorme evolução dos produtores nos últimos 15 anos”. “Somos também pioneiros na divulgação e no blend entre castas nacionais e doutros países, o que demonstra empreendedorismo e inovação”.