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Especial Vinhos Verdes
Vercoope (PDF)
Dimensão nos Vinhos Verdes

Enquanto pólo aglutinador do movimento cooperativo na região dos vinhos verdes, a missão da Vercoope tem ganho uma relevância preponderante. Por isso, novas parcerias se perfilam, num mercado cada vez mais exigente. Esse crescimento obriga ainda à realização de investimentos de fundo.

Reportagem: Marc Barros

A criação de economias de escala na região dos vinhos verdes, através da agregação das adegas cooperativas, tem sido um dos papéis mais relevantes que a Vercoope vem desempenhando, na senda da sua missão original. A União das Adegas Cooperativas da Região dos Vinhos Verdes foi criada em 1964, com o objectivo de concentrar os esforços necessários, em primeiro lugar, ao engarrafamento, distribuição e venda dos vinhos dos seus associados, proporcionando uma valorização justa pelo seu esforço, mas igualmente, por outro lado, apoiar a conservação e tipicidade dos vinhos verdes, a preços considerados acessíveis pelos consumidores.
Situada em Agrela, Santo Tirso, a Vercoope é hoje uma das maiores empresas da região, com 50 colaboradores, e representa entre 4000 a 5000 viticultores, numa área total de produção vitícola que ronda a mesma dimensão.
Englobando as Adegas Cooperativas de Amarante, Braga (Cavagri), Guimarães, Famalicão, Felgueiras, Paredes e Vale de Cambra, a Vercoope constitui-se hoje como um dos pilares essenciais na estrutura das associadas, ao criar um importante canal de comercialização para os seus vinhos, quer através de marcas próprias (Via Latina, Pavão e Vercoope), quer das marcas das suas associadas.
O presidente daquela entidade, Basto Gonçalves, destacou este papel aglutinador, que foi recentemente posto à prova com o processo de fusão da Adega Cooperativa de Vila Verde, Amares, Póvoa de Lanhoso e Terras de Bouro com a Cavagri, numa estrutura que integra a Vercoope. Como importante mais-valia está o facto de “a Cavagri ter apostado na construção de uma adega de raiz, que está já concluída, de forma a permitir que a última vindima fosse realizada nas novas instalações”. Esse aspecto revela-se de grande importância na qualidade dos vinhos recepcionados. O presidente da Vercoope assinala a inevitabilidade deste movimento, que poderá “alargar-se a outras adegas, mas que ainda não se concretizou”.

Investimentos em nova linha de engarrafamento

A Vercoope levou ainda a cabo avultados investimentos nas suas infra-estruturas e equipamentos, traduzidos num volume global de 3,5 milhões de euros, dos quais 830 mil euros comparticipados pelo Estado. Desta forma, nas suas instalações com cerca de 7500 m2 de área coberta, foram totalmente renovados o piso e o telhado, bem como adquirida e instalada uma moderna e completa linha de engarrafamento de brancos, a qual, segundo Casimiro Alves, director comercial da empresa, permite “uma maior capacidade de resposta para grandes volumes”, ao permitir engarrafar 8 a 10 mil garrafas por hora.
Este investimento, salienta Basto Gonçalves, incluiu ainda a adopção do sistema HACCP, estando ainda em curso o processo de certificação segundo a norma ISO 9001:2005, o qual deverá estar concluído “até final do ano” e abrangerá todos os procedimentos da adega, quer a nível produtivo, quer administrativo.
Desta forma, a Vercoope possui, nas suas instalações, capacidade para engarrafar 10 a 12 milhões de litros anuais, sendo que “o volume de vinho trabalhado actualmente ronda os sete milhões de litros”, disse Basto Gonçalves. Ou seja, a empresa tem a possibilidade de aumentar consideravelmente o volume de vinhos que recebe e labora, estando assim preparada para receber novos associados no seu seio.

Aposta na marca Via Latina

A Vercoope ocupa actualmente uma quota de mercado de 12 a 14% no sector dos vinhos verdes, referiu Casimiro Alves. As suas três marcas encontram diferentes posicionamentos no mercado, sendo que a marca Via Latina é aquela que garante “maior valor acrescentado por garrafa”. Revelando que a nova imagem, adoptada em 2006, “foi muito bem aceite pelo mercado, depois de um reajuste do preço e a adopção de uma garrafa mais nobre”, Casimiro Alves sublinhou que anualmente são lançadas cerca de um milhão de garrafas em três referências: dois monocasta, Alvarinho e Loureiro, e um vinho verde de lote.
E, se do vinho varietal Loureiro são produzidas cerca de 300 mil unidades, quanto ao Alvarinho o volume engarrafado é substancialmente inferior, na ordem das 20 mil garrafas. Contudo, o seu valor vai muito para além do número de unidades, esclarece Basto Gonçalves, pois este “é engarrafado sobretudo por uma questão de imagem”, já que “todos nos pedem Alvarinho e consegue abrir portas para colocarmos outras referências”. Como prova, está o facto de 50% deste vinho ser exportado. No seu conjunto, a marca Via Latina representa 1,6 milhões de euros no volume de vendas da Vercoope que, em 2008, registou uma facturação de 7,5 milhões de euros.
Por outro lado, a importância do vinho engarrafado tem vindo a crescer substancialmente nas contas desta união, uma vez que “crescemos as vendas na garrafa de 0,75l, por substituição na garrafa de litro e no garrafão”, disse Casimiro Alves. Por seu turno, as vendas de bag in box rondam já 10% do volume global. Porém, Basto Gonçalves sublinhou a dificuldade para crescer neste segmento, uma vez que a própria embalagem cria dificuldades ao acondicionamento destes vinhos, dada a presença natural do gás.
Se, no global, Basto Gonçalves reconhece que a região poderá sofrer quebras nas vendas no decurso de 2009, por outro lado salienta que ainda é cedo para avançar previsões. Porém, no caso da Vercoope, as vendas têm-se mantido regulares, sustenta.
Para esse facto contará certamente o desempenho nos mercados externos, que representam já 10% do volume de vendas e onde a Vercoope pretende continuar a crescer. Segundo Casimiro Alves, os mercados mais importantes são “EUA, Angola e Noruega, graças ao excelente desempenho da marca Via Latina, sobretudo o monocasta Loureiro”. No que se refere ao mercado norueguês, o responsável comercial enfatiza o desempenho no posicionamento desta marca pois, por se tratar de um país cuja importação de vinhos é decidida pelo Estado, a sua continuidade no mercado deve-se às performances nas vendas. E, nesse campo, o Via Latina “foi a marca portuguesa mais vendida a nível de vinhos brancos em 2008”, disse Casimiro Alves, num exemplo de sustentabilidade e visão que tornaram a Vercoope num dos maiores players da região dos vinhos verdes. •