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Especial Vinhos Verdes
Adega Cooperativa de Monção (PDF)
Prossegue estratégia de investimento

Depois de comemorados os 50 anos de existência, a Adega Cooperativa de Monção prepara-se para outros desafios. Novos investimentos e novas referências no mercado marcam a estratégia deste gigante dos vinhos verdes.

Reportagem: Marc Barros

Quando o tema é “casos de sucesso” no sector cooperativo, a Adega Cooperativa de Monção é um dos exemplos que salta de imediato à mente. É um caso paradigmático de gestão e profissionalismo, sem nunca perder de vista as suas origens e, bem assim, a responsabilidade social para com a comunidade em que se insere.
Depois da viragem dos 50 anos, a Adega Cooperativa de Monção olha com optimismo para o futuro. Mas, como este está apenas ao virar da esquina (e sabendo que, neste mundo dos vinhos, as mudanças são rápidas como um piscar de olhos), novos projectos e estratégias estão a ser definidos, e novos rumos e mercados estão a ser traçados.
Com a conclusão e entrada em operação da quarta fase de ampliação das instalações da adega, num investimento de 6,5 milhões de euros que foi inaugurado no decurso das comemorações do seu cinquentenário, o presidente da Adega Cooperativa de Monção, Antonino Barbosa, confidenciou que está previsto um novo projecto “para aquisição de novas cubas de fermentação”, bem como de “uma nova linha de engarrafamento para espumantes e restante maquinaria para a sua elaboração”. O presidente daquela instituição revelou ainda aguardar “o reembolso de 70% do investimento realizado em 2007, na ordem dos dois milhões de euros”.
A candidatura ao Programa de Desenvolvimento Rural do Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas, no valor de 2,6 milhões de euros, “visa a construção de um armazém de produto acabado, linha completa para espumantes, melhorias no frio, investimentos em equipamento de laboratório e em fermentação de vinho branco”. O objectivo do investimento é iniciar a produção de espumante em escala e dotar a Adega Cooperativa de Monção de maior flexibilidade produtiva, explica.
Ou seja, a compra de cubas vem no sentido, “não do aumento de capacidade de produção de vinhos”, mas na resolução de dificuldades levantadas aquando das fermentações pois, “embora tenhamos cubas para fermentação de 20 milhões de litros, nunca utilizamos em pleno esta capacidade, pois convém que, durante as vinificações, as cubas nunca sejam cheias na sua totalidade”.
Nesse aspecto, adiantou Antonino Barbosa, “podemos ter dificuldades em alguns anos de muita produção, algo que não se verificou em 2008 e 2007”, dada a quebra verificada. Na última campanha, a Adega de Monção produziu 4,5 milhões de litros, menos dois milhões que em 2007. Exportação em crescimento

 

Há 51 anos atrás, a Adega Cooperativa de Monção foi fundada por iniciativa de 24 viticultores. A evolução foi positiva e constante, ao longo dos anos. Em 1962 contava com 62 associados, em 1992 com 855, em 1993 ultrapassou a fasquia dos mil, em 2006 com 1585 associados e em 2009 com 1800.
A adesão cada vez maior de cooperantes da sub-região de Monção, incluindo os concelhos de Monção e Melgaço, levou os viticultores ao plantio de vinhas em terrenos mais apropriados e a uma mais criteriosa selecção de porta enxertos e das castas recomendadas para a sub-região: o Alvarinho e a Trajadura para os brancos e o Vinhão, o Pedral e o Alvarelhão para os tintos.
Actualmente, a Adega de Monção representa cerca de 65% do vinho Alvarinho produzido na região. Dada a crescente dimensão deste universo, aquela cooperativa tem encorajado a reconversão das vinhas, com o consequente aumento de produção.
Como antigo funcionário das Finanças, Antonino Barbosa garante que as contas da estrutura a que preside “estão em dia”, algo que não é muito comum no panorama cooperativo nacional. Tal fenómeno deve-se a “uma gestão profissional, mantendo a vocação social” que desde sempre norteou estas empresas.
A evolução tecnológica e social reflectiu-se também na produção, representando um crescimento contínuo. Se em 1990 a Adega de Monção facturava 1,5 milhões de euros, em 2008, as vendas atingiram o maior valor de sempre, com 12,4 milhões de euros.
Do volume total de vendas, 20% devem-se aos mercados externos. “Tivemos em 2008 um ligeiro crescimento na exportação, com a penetração em novos mercados, mas também o crescimento de quota nos mercados onde já estávamos implantados”. Nestes casos incluem-se Angola (onde a marca Muralhas de Monção se destaca), França, Brasil, EUA, Alemanha e Andorra. Antonino Barbosa destaca a importância do mercado angolano pela sua taxa de crescimento, como “um bom mercado que tem que ser bem aproveitado, pois encontra-se fortemente capitalizado e paga antecipadamente”.

Muralhas diversifica

As inovações da Adega de Monção alastram-se igualmente à oferta de novos produtos. Aproveitando o sucesso e notoriedade da marca, foram lançados em 2008, como parte de uma experiência, 10 mil garrafas do primeiro espumante da sua leva, com a marca Muralhas de Monção. Trata-se de um espumante 100% Alvarinho, que surge na senda de uma crescente espumantização desta casta. Também por essa razão, “este ano engarrafamos 30 mil garrafas e queremos continuar a crescer ano após ano, até respondermos aos pedidos do mercado”. Para além deste espumante branco, a cooperativa colocou no mercado o Adega de Monção Tinto.
Com a mesma base de vinhos, a adega lançou ainda, em 2008, com grande sucesso, o rosado da marca Muralhas de Monção, “elaborado a partir dos lotes tintos que produzimos na adega e que contrabalançam a quebra que se vem sentido ano após ano nas vendas de tinto”, este de consumo eminentemente regional. Aliás, a marca Muralhas de Monção continua a ser o grande ex-libris da Adega de Monção, com “uma produção anual de três milhões de garrafas de 0,75 l e 500 mil de 0,37l”, resume Antonino Barbosa.
Mas como a produção da Adega de Monção não se esgota na marca Muralhas, outras referências merecem igualmente destaque, como o Alvarinho Deu-La-Deu estagiado em casco de carvalho, o Alvarinho Deu-la-Deu e as marcas Danaide branco e tinto e Adega de Monção branco e tinto. De fora, pela sua qualidade e tipicidade, não poderiam ficar as aguardentes, como prova da capacidade de diversificação e perspectiva de um dos melhores exemplos do cooperativismo nacional. •