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Especial – Vinhos Verdes
Um universo por descobrir (PDF)

Um trabalho de grande fôlego sobre a região dos vinhos verdes, como este que a revista Nectar apresenta aos seus leitores, envolve muito mais do que apenas o retrato dos produtores e dos seus vinhos. Isto porque a região, a maior do país em termos geográficos, encerra um vasto conjunto de pequenas e micro-regiões, cuja caracterização não se esgota no tópico dos vinhos verdes.

Texto: Marc Barros

A região é muito mais que isto: é gastronomia, é história, é cultura, é património, são gentes, formas de vida e tradições que se reportam ao código genético da própria nacionalidade. Não nos podemos esquecer, por exemplo, que foi certamente com vinho verde que D. Afonso Henriques e a sua corte celebraram a independência.
Ainda hoje, ao passear pela região, podemos constatar os reflexos desse passado na própria cultura da vinha, tradicionalmente em ramada, ocupando as orlas dos terrenos, numa agricultura típica de minifúndio, como complemento de outras culturas, como o milho ou o feijão, bem como as pequenas bouças, ou pinhais, que serviam (e servem) de “mealheiro” dos agricultores.
A região dos vinhos verdes deu já passos gigantes no sentido da optimização das produções: replantação de vinhas, novos sistemas de condução, estudo e apuramento das castas, são melhorias que representam o futuro, já presente, da região. A estes junta-se a necessidade de centrar esforços na conquista dos mercados com vinhos únicos no mundo, jovens, frescos, leves, cada vez menos sazonais.
Mas o vinho verde é também muito mais que isso: é um universo de imensos vinhos verdes, de grande diversidade, tipo, cor, aromas, variedade e castas. É a riqueza do Alvarinho, a acidez do Trajadura, o perfil aromático do Loureiro, do Avesso, do Azal, do Vinhão (esse vinho tão rico e, ao mesmo tempo, tão desconhecido, um tesouro por desenterrar…), são os novos produtos como rosés, espumantes ou colheitas tardias.
O vinho verde é também a soma dos seus produtores: as adegas cooperativas, vitais para a sustentação social e económica da região, as empresas e produtores privados, dinâmicos e fortes na abertura de novos mercados, os enólogos, responsáveis pela notória evolução qualitativa do vinho verde.
Foi este universo, tão rico e variado, que a Nectar pretendeu levar até ao leitor.
Nada melhor, para receber o Verão que se aproxima, que abrir uma garrafa de vinho verde das muitas que aqui provamos e lhe apresentamos, para celebrar a alegria de viver e o convívio que este vinho proporciona. Saúde! •