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DFJ vinhos – 10.º Aniversário
José Neiva Correia abre portas às quintas da Estremadura e Ribatejo

A DFJ Vinhos completou, em 2008, dez anos de vida. Está por isso de parabéns, e a comemorar. Até porque, “alcançar a excelência da produção do vinho nas diversas regiões de Portugal, transformando a riqueza e variedade das castas portuguesas em vinhos da mais alta qualidade, acessíveis aos consumidores de todo o mundo”, não é fácil, nem para todos.

Reportagem: Patrick Neves

Essa tem sido a missão da DFJ Vinhos, de resto muito bem cumprida, quer por força da visão e carácter do seu proprietário e enólogo chefe, José Neiva Correia, mas também pela aposta, confiante e segura, que faz nos mercados, aqui e além fronteiras.
Para assinalar o décimo aniversário, a DFJ organizou em Fevereiro uma visita às principais quintas que detém nas regiões vinícolas da Estremadura e Ribatejo. O percurso incluiu a passagem pelas propriedades em Torres Novas e Alenquer e culminou, já perto de Santarém, com uma visita à Quinta da Fonte Bela, e um almoço, da responsabilidade do chef Pedro Nunes e do mestre pasteleiro Francisco Gomes.

Visita à Quinta da Madeira

A viagem iniciou-se na Quinta da Madeira, em Torres Vedras. Local de residência de José Neiva Correia, trata–se de uma propriedade de belas vistas, situada no cimo de um monte, com uma extensão de 25 hectares, 15 dos quais destinados à plantação de vinha, principalmente da casta Pinot Noir. Cerca de 1,5 hectares estão reservados a uma entusiástica e inovadora experiência com Dorn Felder, uma casta alemã praticamente desconhecida dos portugueses, de maturação precoce e grande resistência à influência atlântica, que dá vinhos com muita cor e fruta, bem ao gosto dos consumidores.
Foi neste terroir, sujeito a ventos mas também a boas exposições solares, que foi evocada por José Neiva Correia a parceria desenvolvida desde sempre com a Rui Abreu Correia e Herdeiros, uma empresa familiar que o produtor possui juntamente com os irmãos e que é detentora de 200 hectares de vinha, distribuídos pelos concelhos de Torres Vedras e Alenquer. Recordada foi também a associação estabelecida há três anos com Tomás Sanches da Gama, um homem que sensibilizou José Neiva Correia por ter iniciado, aos 76 anos de idade, a comercialização dos seus vinhos, oriundos da Quinta do Rocio. Ao fim do dia, e muitas vezes ao fim-de-semana, José Neiva Correia e Lisete Lucas, enóloga responsável pela produção da Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa, ajudam a manter vivo o sonho deste viticultor.

Matéria orgânica: um dos segredos da viticultura de José Neiva Correia

Prosseguindo caminho até Alenquer, eis-nos chegados à Quinta da Ponte, junto à povoação de Runa – uma propriedade rodeada de montes e com 25 hectares de vinha de diferentes castas, plantada há 13 anos. Exposta aos ventos marítimos, beneficia de um clima sempre fresco (com orvalhadas nocturnas que dispensam a rega) e solos negros, que permitem uma excelente absorção dos raios solares.
Segundo José Neiva Correia “este é o local onde melhor se cozinham vinhos”, dada a facilidade de maturação das plantas, que se fica a dever ao “grande número de horas de exposição solar, à utilização de matéria orgânica, à boa relação entre a massa verde e o número de cachos e à não concretização de doações químicas.”
“Um dos segredos da viticultura é, quanto a mim, a utilização de matéria orgânica, que é muito barata e deve ser introduzida quando há desequilíbrios nos solos”, referiu. “O único investimento que tem de ser feito é ao nível de maquinaria que possa fazer a localização da matéria orgânica e utilizá-la, com baixos custos”.
Com uma produção de 20 toneladas por hectare, a Quinta da Ponte é território privilegiado das castas Chardonnay, Arinto, Castelão e Caladoc (que resulta do cruzamento entre as castas Grenache e Malbec).

Quinta do Porto Franco na família há quatro gerações

A pausa seguinte deu-se a escassos quilómetros, na Quinta do Porto Franco, que tem vindo a ser restaurada e é considerada por muitos historiadores como uma das mais antigas de Alenquer, com uma origem anterior à nacionalidade.
Uma longa alameda de plátanos conduz os visitantes à entrada principal, onde se revela um edifício, baixo e comprido, que preza a traça típica das tradicionais casas agrícolas da região e fica a paredes-meias com a Quinta do Rocio. Local de nascimento de José Neiva Correia, está na posse da família há quatro gerações, incluindo em redor dos terreiros e pátios que circundam a casa manchas de diferentes cores produzidas pelas castas Alfrocheiro, Moscatel, Alicante Bouschet e Syrah.
Na velha adega, as atenções recaem nas armas da família Lobo Garcez Palha, do século XVIII, e em algumas fotografias expostas nas paredes, com imagens antigas dos cavalos a laborar na quinta, munidos de lanças em cobre. Um retrato do primeiro tractor vinhateiro utilizado em Portugal completa a pequena galeria que antecede o local de vinificação – onde se encontram armazenados alguns dos maiores tonéis de madeira do país (com capacidades entre os 35 e os 70 mil litros de vinho), bem como os antigos lagares já desactivados, os depósitos revestidos a fibra de vidro e epoxi, e as prensas horizontais. À saída destacam-se dois grandes reservatórios de vinho em cimento, caiados a branco, e vinhas quase a perder de vista.

Quinta da Fonte Bela: o centro de operações da DFJ

A viagem pelo universo da DFJ findou com a chegada à Quinta da Fonte Bela, em Vila Chã de Ourique, entre o vale de Santarém e Valada, local que constitui o centro de operações da empresa, na medida em que é ali que se procede ao controlo de qualidade e está instalado o centro de engarrafamento, rotulagem, armazenamento e distribuição dos vinhos.
Datada de 1897 e com cerca de 8 mil metros quadrados de área coberta, e outros tantos a descoberto (sempre vigiados de alto pelas cegonhas que nidificam nos telhados), a quinta é formada por um conjunto de insólitas e imponentes construções em pedra, que combinam a arquitectura francesa de chatêaux com resquícios de arquitectura industrial, não faltando a telha de Marselha e uma impressionante chaminé, visível a muitos quilómetros de distância. Tem um total de nove pavilhões, entre laboratório, fornos, armazéns, tanoaria, destilaria e a imensa adega, em utilização, com mais de 20 metros de pé-direito e cubas com capacidade para 2,5 milhões de litros. A adega já desactivada é considerada como um dos maiores reservatórios de tonéis de madeira do país, sendo hoje em dia utilizada para estágio do vinho em meias pipas de carvalho francês, português e americano.

Fusão de dois prazeres: vinhos DFJ e receitas com vinho de Pedro Nunes

Antes de conhecer a quinta, os participantes foram convidados a entrar na sala de provas da Quinta da Fonte Bela e sentar-se à mesa. Após tomarem um apetizer, tiveram a oportunidade de degustar algumas das melhores receitas criadas com vinho pelo chef Pedro Nunes (do restaurante São Gião, em Moreira de Cónegos) para acompanhar os néctares da DFJ, recentemente compiladas em livro, editado sob a chancela Bertrand com o título “Grand’Arte – A Fusão de Dois Prazeres – 40 vinhos para 40 receitas”.
Como entrada um magnífico Escabeche de Sardinha, bem ao jeito e sabor portugueses, teve como acompanhamento o brilhante e muito frutado Coreto Rosé, que desde logo cativou os presentes, abrindo caminho a um festival de sabores. O Monte Alentejano Trincadeira & Aragonez acompanhou uma muito bem conseguida Alheira com Bróculos e Ovo de Codorniz, seguindo-se uma surpreendente e original Canja de Gambas e Morangos que casou, formidavelmente, com o vinho branco regional da Estremadura Casa do Lago Fernão Pires. Em seguida, a muito bem condimentada Roupa-Velha foi servida com o Manta Preta Reserva Touriga Nacional & Tinta Roriz, fechando com Perdizes com Cogumelos e o vinho Segada. No final, para adoçar a boca, a pastelaria gourmet de Francisco Gomes: Tarte de Framboesa, servida com DFJ Alvarinho & Chardonnay e um bonito Bolo de Chocolate Oriental, acompanhado do Escada DOC Douro.

José Neiva Correia: pioneiro na implantação de novas castas em Portugal

Reconhecido pela importante contribuição para a transformação do vinho português, o produtor e engenheiro técnico agrário José Neiva Correia, de 59 anos, tem tanta vocação para fazer vinhos de topo como para produzir vinhos baratos, criando marcas destinadas a um mercado de massas e usando castas tradicionais e internacionais com assinalável mestria. Descendente de várias gerações de vitivinicultores, tanto do lado paterno como materno, seguiu a tradição familiar com gosto, profissionalismo, criatividade e muito entusiasmo, assinando cada um dos seus muitos e variados vinhos com misturas de castas improváveis e com resultados surpreendentes. Como enólogo, tem vindo a desenvolver um trabalho pioneiro na implantação de novas castas no nosso país, promovendo uma agricultura amiga do ambiente, livre de químicos, bem como soluções para a correcta vedação das garrafas, com rolhas de cortiça.
Desde que fundou em 1998 a empresa DFJ Vinhos, tornou-se responsável por uma produção média anual de seis milhões de garrafas, tendo no seu portfólio 33 marcas e 77 vinhos diferentes, oriundos de todas as regiões portuguesas, do Douro ao Algarve. Exportando 90% da produção para os cinco continentes, é detentor de uma das maiores quotas do mercado inglês (o equivalente a um milhão e meio de garrafas exportadas anualmente), impondo-se maioritariamente com marcas a preços muito competitivos e dirigidas a um segmento médio.
No mercado nacional as suas vendas rondam os 15%, prevendo-se que (pelo menos) dupliquem, até ao final de 2010. •

Grand’Arte: A Fusão de Dois Prazeres – 40 Vinhos para 40 Receitas

A visita às quintas que a DFJ Vinhos possui nas regiões da Estremadura e Ribatejo serviu de pretexto para a primeira apresentação pública do livro “Grand’Arte:
A Fusão de Dois Prazeres – 40 Vinhos para 40 Receitas”. Com
texto da autoria de Leonor Vaz Pinto e fotografias de Manuel Correia, foi editado em Portugal no final de 2008, sob a chancela Bertrand, em versão bilingue (português e inglês), grande formato e com uma apelativa imagem de capa. Com P.V.P. recomendado de 23,95 €, trata-se de um conjunto de 40 receitas confeccionadas com vinho, criadas pelo chefe Pedro Nunes para acompanhar
40 dos 77 vinhos produzidos pela DFJ, incluindo ainda sobremesas, também elaboradas com estes néctares pelo consultor de pastelaria Francisco Gomes.
Após um breve historial do percurso de José Neiva Correia e da sua actividade no seio da DFJ Vinhos, o livro apresenta propostas que, apesar de originais e inovadoras, respeitam os sabores genuinamente portugueses. A primeira parte
é dedicada aos grand apetizers, ou à “Arte de Bem Petiscar”, seguindo-se grand celebrations (“A Arte de Bem Festejar”) e Grand’Arte (reportando-se ao nome de alguns vinhos DFJ da região Estremadura). A obra encerra com uma listagem dos 40 vinhos seleccionados para acompanhar os pratos. •

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