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Actualização mensal dos vinhos que foram enviados para serem provados e que obtêm classificação igual ou superior a 89 pontos.
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94 pontos
Gran Cruz Porto – Cruz Porto 20 Anos – 38,40 – 72/73
92 pontos
Gran Cruz Porto – Gran Cruz Porto 40 anos – 90,00 – 72/73
Soc. Quinta do Portal – Portal Colheita 2000 Porto – 19,53 – 72/73
91 pontos
Gran Cruz Porto – Gran Cruz LBV 2003 Porto – 13,00 – 72/73
Gran Cruz Porto – Gran Cruz LBV 2004 Porto – 13,00 – 72/73
Gran Cruz Porto – Cruz Vintage 2006 Porto – 25,00 – 72/73
90 pontos
António Caetano F. Girão – Consensual Gde Escolha Tin 2005 – €20,00 – 72/73
Soc. Quinta do Portal – Qta do Portal Tinta Roriz Tin 2006 – €17,51 – 72/73
Soc. Quinta do Portal – Qta do Portal Gde Reserva Tin 2006 – €22,20 – 72/73
Soc. Quinta do Portal – Qta do Portal Vintage 2006 Porto – €43,48 – 72/73
PROVAM – Vinha Antiga Alvarinho Escolha Bra 2007 – €9,70 – 72/73
Soc. Agrícola Casal do Tojo – Catralvos Superior Moscatel 2003 – €7,50 – 72/73
Soc. Quinta do Portal – Portal LBV 2004 Porto – €33,89 – 74/75
Fita Preta – Preta Tinto 2005 – €22,00 – 74/75
89 pontos
António Caetano e Faria Girão – Consensual Gde Res. Tin 2005 – €4,50 – 72/73
Gonçalo de Sá da Bandeira – Herdade do Gamito Tinto 2006 – €9,90 – 72/73
Ervideira, Soc. Agr. Lda – Vinha D’Ervideira Col. Sel. Tinto 2007 – €5,38 – 72/73
Duorum Vinhos – Duorum Tinto 2007 – €8,00 – 72/73
J. Portugal Ramos – Vila Santa Syrah Tinto 2007 – €9,85 – 72/73
Casa dos Lagares – Fragulho Moscatel – €7,99 – 72/73
Silvio Cerveira – Colinas de S. Lourenço Espu. Bruto Nat Bra 2006 – €9,00 – 72/73
Soc. Agrícola Casal do Tojo – Lisa Bra 2007 – €2,40 – 72/73
Soc. Agrícola Casal do Tojo – Catralvos Reserva Tinto 2005 – €9,00 – 72/73
Soc. Quinta do Portal – Portal Moscatel Douro Reserva 2000 – €12,42 – 74/75
Caves São João – Frei João Branco 2008 – €2,99 – 74/75
Caves São João – Quinta do Poço do Lobo Esp. Bruto Bra 2006 – €5,50 – 74/75
Casa Santa Vitoria – Casa Santa Vitoria Tou. Nacional Tin 2006 – €15,98 – 74/75
Caves Santa Marta – Caves Santa Marta Tin Reserva 2005 – €4,52 – 74/75
S.A. Qta Santa Eufemia – Qta Sta Eufemia 10 Y Old Porto White – €14,30 – 74/75
Joaquim Lopes – Paxá Tinto 2005 – €11,50 – 74/75
José António F. Guedes – Essencial Res. Especial Tinto 2005 – €12,32 – 74/75
PROVAM – Côto de Mamoelas Esp. Alvarinho Bruto Bra 2006 – €14,00 – 74/75

Os Melhores de 2008 Provados e Classificados na revista Nectar
Um bom nível qualitativo
Bento de Carvalho – ENGº Agrónomo
O vinho é um dos símbolos tradicionais da nossa civilização e beber vinho, comer pão e azeite faz parte dos nossos costumes alimenteres, e da nossa cultura.
O vinho é a expressão de um ideal, resultado da paixão e sensibilidade do Homem. As características organolépticas do vinho estão relacionadas com a região que o produz, com o terreno, o clima, com as castas que lhe dão origem que associadas à intervenção do homem, são os responsáveis essenciais, pela originalidade, qualidade, expressão e caracter do vinho.
O nível qualitativo dos nossos vinhos tem aumentedo basante nos últimos anos e hoje podemos afirmar, com convicção, que de um modo geral não há vinhos maus ou defeituosos no nosso país.
2008 não foi um ano fácil, foi um ano de preocupações e incertezas, sendo preocupante a crise estrutural, económica e financeira que o sector vitivinícola atravessa. A diminuição do consumo é um dos factores determinantes desta situação e a conquista de mercados é indispensável à sobrevivência dos agentes económicos do sector.
Em 2008 foram provados, classificados e descritos 406 vinhos, trabalho que envolveu uma subjectividade de apreciação qualitativa mas que foi realizada de um modo independente, imparcial e profissional. Pensamos por isso, que mereceu a vossa atenção e confiança.
A vocação da revista, foi sentida e percebida pelo sector do vinho e contra todas as dificuldades, é já hoje um marco sóbrio, profissional e de afirmação, onde produtores, enólogos e comerciantes podem estar presentes e dar visibilidade ao seu trabalho e ao seu poder de criação.
Para 2009 desejamos os maiores sucessos aos “homens do vinho” e cá estamos para reconhecer o nível qualitativo dos vinhos e dar a visibilidade indispensável ao seu consumo, pelo que contamos também com a vossa colaboração e confiança. •

O MELHOR VINHO DE 2008
Graham’s Quinta dos Malvedos Vinho Vintage Port 1998 Porto DOCGrande riqueza de cor, retinto, tonalidades violáceas brilhantes, nariz franco, delicado, exala aromas perfumados, finos, elegantes e grande expressão aromática, frutado com notas de cereja em licor, boca ampla, bom volume e equilibrio, taninos de boa qualidade, o final de boca é harmonioso e deixa um sentimento de plenitude e generosidade. Grande distinção e bom potencial de guarda.
95 PONTOS
Lista completa dos Melhores Vinhos de 2008
Vinhos que foram enviados pelos produtores para serem provados e que obtiveram classificação igual ou superior a 89 pontos.
Vinhos Verdes <<<
90 pontos
PROVAM – Côto de Mamoelas Alvarinho Reserva Espum. Bruto Branco-DOC
89 pontos
Augusto João Fernandes – O Nogueiral-Alvarinho Branco 05-DOC
António Esteves Ferreira – Soalheiro Alvarinho Branco 07-DOC
António Esteves Ferreira – Qta de Soalheiro Alvarinho Res. Bra 06 DOC
Fernando Rodrigues – Casa dos Canhotos – Alvarinho Branco 07 DOC
Soc. Agrícola Quinta de Naíde – Qta de Naíde – Colheita Sel. Branco 07 DOC
PROVAM – Portal do Fidalgo Alvarinho Branco 07 DOC
PROVAM – Castas de Monção – Espumante Branco 06 DOC
Alvarinho Poema – Poema Alvarinho Branco 06 Doc
Trás-os-Montes <<<
90 pontos
Maria Antónia de A. Mascarenhas – Valle Pradinhos Bra 07 Reg. Trans.
89 pontos
Maria Antónia de A. Mascarenhas Porta Velha – Valle Pradinhos Tin 06 DOC
Maria Antónia de A. Mascarenhas – Valle Pradinhos Tinto 05 DOC
Vinho do Porto <<<
95 pontos
Symington Family Estates – Graham’s Qta dos Malvedos Vintage Porto 1998 DOC
94 pontos
Jaime Acácio Q. Cardoso – Qta do Estanho – Aloirado Doce Porto +40 Anos DOC
93 pontos
Quinta & Vineyard Bottlers, Vinhos Taylor’s – LBV Porto 2002 DOC
Symington Family Estates – Graham’s Tawny Porto 10 Anos DOC
92 pontos
Jaime Acácio Q. Cardoso – Qta do Estanho – Aloirado Doce Porto 20 Anos DOC
Jaime Acácio Queiroz Cardoso – Qta do Estanho – Vintage Porto 1996 DOC
Jaime Acácio Queiroz Cardoso – Qnta do Estanho – Vintage Porto 00 DOC
Symington Family Estates – Graham’s – LBV Porto 01 DOC
Quinta Nova de N. S. do Carmo – Qta Nova de N. S. Carmo – LBV Porto 04 DOC
Symington – Soc Agricola – Qta do Vesúvio – Vintage Porto 05 DOC
Symington Family Estates, Vinhos – Dow’s Qta Sra da Ribeira – Vintage Porto 05
Jaime Acácio Queiroz Cardoso – Quinta do Estanho LBV Porto 03 DOC
91 pontos
Quinta do Ventozelo S. A. C. – Quinta do Ventozelo – Vintage Porto 05 DOC
90pontos
Quinta Nova de Nª Sª do Carmo – Qta Nova de N. S. Carmo – Vintage 06 DOC
Acácio Queiroz Cardoso – Quinta do Estanho – Vintage Porto 05 DOC

Douro <<<
91 pontos
Quinta do Portal – Quinta do Portal – Reserva Tinto 05 DOC
Arlindo da Costa Pinto e Cruz – Quinta do Fail – Res. Especial Tinto 06 DOC
Qta Nova de Nª Sª do Carmo – Qta Nova de N. S. Carmo Grande Res. Tin 06 DOC
90 pontos
Symington Family Estates – Altano – Reserva Tinto 2005 DOC
Quinta Nova de Nª Sª do Carmo – Qta Nova de N. S. do Carmo – Res. Tin 05 DOC
Jorge Pinto Leal – Qta Pedra Alta – Qta da Pedra Alta – Res. Espe. Branco 07 DOC
Adriano Ramos Pinto – Bons Ares Branco 07 Regional Duriense
Adriano Ramos Pinto – Ramos Pinto Collection Tinto 06 DOC
Maria Adelaide Melo e Trigo – Qta do Couquinho – Res. Tinto 05 DOC
89 pontos
António Caetano de Sousa F. Girão – Consensual – Gde Res. Tin 04 DOC
António Caetano de Sousa F. Girão – Consensual – Res. Bra 06 DOC
António Caetano de Sousa F. Girão – Sedinhas – Res. Espe. Tin 04 DOC
António Gaspar – Quinta da Castaninça – Reserva Tinto 04 DOC
António Gaspar – Quinta da Castainça – Grande Escolha Tinto 04 DOC
Symington Family States, Vinhos – Altano Branco 06 DOC
D’Origem Soc. Agricola e Com. – Velha Geração – Reserva Tinto 04 DOC
Carlos Sampaio Alonso – Redvelvet – Reserva Tinto 04 DOC
Quinta das Apegadas – Soc. Agrícola – Apegadas Branco 07 DOC
Caves da Quinta do Pocinho, Unip. – Perdigota – Reserva Tinto 04 DOC
Quinta do Portal – Duradero Tinto 06 DOC
Jorge Pinto Leal – Quinta da Pedra Alta – Soutinho Branco 07 DOC
Adega Coop. de Mesão Frio – Claustru’s Branco 07 DOC
Lavradores de Feitoria – Lavradores de Feitoria – Gde Escolha Tinto 04 DOC
Sociedade Agrícola Quinta do Portal – Portal Branco 07 DOC
Sociedade Agrícola Quinta do Portal – Mural Branco 07 DOC
Quinta Nova de Nª Sª do Carmo – Grainha Branco 07 DOC
Quinta Nova de Nª Sª do Carmo – Grainha Tinto 06 DOC
Adriano Ramos Pinto – Duas Quintas Branco 2007 DOC
Quinta das Apegadas, Soc. Agr. – Apegadas – Qta Velha Res. Tinto 06 DOC
Arlindo da Costa Pinto e Cruz – Casal dos Jordões – G. Res. – T. Franca Tin 06 DOC
Quinta Nova de Nª Sª do Carmo – Qta Nova de N. S. do Carmo – Res. Tin 06 DOC
Maria Luísa Silva Valente – Qta Sra da Graça – Penedo do Barco Tinto 05 DOC
António Caetano de Sousa F. Girão – Sedinhas Casa das Torres – Res. Bra 07 DOC
Ramos Pinto Duas Quintas – Reserva Tinto 05 DOC
Acácio Queiroz Cardoso – Quinta do Estanho Tinto 07 DOC
Távora-Varosa <<<
90 pontos
Cooperativa Agrícola do Távora – Terras do Demo Espum. Branco DOC
Bairrada <<<
91 pontos
Sílvio Cerveira – Colinas de São Lourenço – Private Collection Tinto 05 DOC
90 pontos
Sílvio Cerveira – Colinas de São Lourenço – Merlot Aguardente 06 DOC
Sílvio Cerveira – Colinas de São Lourenço Principal Reserva Tinto 05 DOC
Caves Solar de São Domingos – S. Domingos Lopo de Freitas Espu. Bruto Bra 04
89 pontos
A. Coop. de Cantanhede – Marquês de Marialva – Bical Res. Espu. Bruto Bra 05 DOC
A. Coop. de Cantanhede – Marquês de Marialva – Baga Gde Escolha Tin 05 DOC
Sílvio Cerveira- Colinas de São Lourenço Tinto 05 DOC
Sílvio Cerveira- Colinas de S. Lourenço T. Nacional – Bagaceira Aguardente 06 DOC
Sílvio Cerveira – Colinas de S. Lourenço Cab. Sauvignon Bagaceira Aguar. 06 DOC
Caves São João – Quinta Poço do Lobo – Reserva Tinto 05 DOC
Sílvio Cerveira – Colinas de São Lourenço – Private Collection Tinto 06 DOC
A. Coop. de Cantanhede – Marquês de Marialva Bical Res. Espu. Branco 05 DOC
Caves São João – Quinta do Poço do Lobo Espu. Bruto Branco 05 DOC
Caves Solar de São Domingos – São Domingos Espu. Bruto Branco 04 DOC
Caves Primavera – Primavera Baga Espumante Bruto Branco 04 DOC
S. Agr. e Com. Vinhos Messias – Qta do Valdoeiro Baga/Chard. Espu. Bra 05 DOC
Caves Aliança – Aliança Particular Espumante Bruto – Branco 04 DOC
Caves Solar de São Domingos – São Domingos Baga Espu. Bruto Branco 06 DOC
Caves da Montanha – A. Henrique – Montanha Cerceal/Bical Espu. Branco 04 DOC
Mário Sergio Alves Nuno – Qta das Bágeiras Gde Res. Espu. Bruto Natural Bra 01
Mário Sérgio Alves Nuno – Qta das Bágeiras Super Res Espu. Bruto Natural Bra 04
Cavipor – Vinhos de Portugal – Anégia Lote Privado Espumante Branco 04
Caves do Freixo – Principe Real Super Res. Espumante Bruto Natural Branco 01

Beiras <<<
89 pontos
Caves São João – Caves São João – Reserva Tinto 05 Regional Beiras
Dão <<<
89
Sogrape Vinhos – Duque de Viseu Branco 06 DOC
Enoport – DT Produção de Bebidas – Cardeal – Res. T. Nacional Tinto 04 DOC
Cooperativa Agrícola de Nelas – Nelus Rosé 2007 DOC
Quinta da Fata – Agricultura e Turismo – Qta da Fata – T. Nacional Tinto 06 DOC
Beira-Interior <<<
89 pontos
A. Coop. Figueira de Castelo Rodrigo – Castelo Rodrigo Siria Branco 07 DOC
Ribatejo <<<
90 pontos
Quinta da Alorna Vinhos – Qta. da Alorna – Res. T. Nac. Cab./Sauvi. Tin 04 DOC
89 pontos
Enoport – DT – Prod. de Bebidas – Casaleiro – Col. Sel. Bra 06 Reg. Ribat.
Quinta da Alorna Vinhos – Qta da Alorna – Res. Arinto Chardo. Branco 06 DOC
Agroseber SA – Quinta do Sampayo – Reserva Tinto 2003 Reg. Ribat.
Agroseber SA – Quinta do Sampayo – T. Nacional Tinto 2004 Reg. Ribat.
Companhia das Lezírias – Companhia das Lezírias – Verdelho Branco 2007 DOC
Estremadura <<<
89 pontos
Adega Coop. de Arruda dos Vinhos – Extra-Madura Tinto 2005 Reg. Estrem.
Adega Coop. da Carvoeira – Velhos Tempos Res. Tinto 2004 Reg. Estrem.
Adega Coop. da Carvoeira – Velhos Tempos – Arago. e T. Nac. Tin 06 Reg. Estrem.
DFJ Vinhos – Casa do Lago – Fernão Pires Branco 2007 Reg. Estrem.
DFJ Vinhos – Consensus – Pinot Noir/Touriga Nacional Tinto 2006 Reg. Estrem.
DFJ Vinhos – Grand’Arte – Arinto Branco 2007 Reg. Estremadura
DFJ Vinhos – DFJ Alvarinho & Chardonnay – Branco 07 Reg. Estrem.
Bacalhôa Vinhos de Portugal – Loridos Chardonnay Espu. Extra Bruto Bra 2005
Alenquer <<<
89 pontos
Adega Cooperativa da Merceana – Cerca do Rei – Reserva Tinto 2004 DOC
Adega Cooperativa da Carvoeira – Velhos Tempos – Alenquer Tinto 2005 DOC
Bucelas <<<
89 pontos
Encosta da Murta – Quinta da Murta Branco 2007 DOC
Encosta da Murta – Myrtus – Arinto Reserva Branco 2007 DOC
Quinta do Boição – Quinta do Boição Arinto Espu. Extra Bruto Espe Cuvée Bra 2004
Colares <<<
89 pontos
Adega Cooperativa de Colares – Arenae Romisco Tinto 2003 DOC
Adega Cooperativa de Colares – Arenae Branco 2006 DOC
António Bernardino Paulo da Silva – Colares Chitas Reserva Branco 2005 DOC
Setúbal <<<
93 pontos
Venâncio da Costa Lima – Venâncio da Costa Lima – Superior Moscatel 2000 DOC
90 pontos
Venâncio da Costa Lima – Venâncio da Costa Lima Moscatel 2001 DOC
Terras-do-Sado <<<
89 pontos
Sociedade Agro-Pecuária das Soberanas – Soberanas Tin 2004 Reg. Terras Sado
Herdade da Comporta – Hde da Comporta Antão Vaz Bra 07 Reg. Terras Sado

Alentejo <<<
91 pontos
Vinhos da Cavaca Dourada – Mouchão Tinto 2003 Reg. Alentejano
Herdade do Perdigão – Herdade do Perdigão – Reserva Tinto 2005 Reg. Alent.
Marcolino Sebo – Visconde de Borba – Reserva Tinto 2005 DOC
90 pontos
Herdade da Calada – Baron de B. – Reserva Branco 2006 DOC
Altas Quintas – Altas Quintas – Reserva Tinto 2004 Reg. Alentejano
S. Agr. do Freixo do Meio – Qta da Amoreira da Torre – Res. Tinto 04 Reg. Alent.
Herdade do Perdigão – Vinha do Almo – Escolha Tinto 2005 Reg. Alent.
Paulo Laureano Vinus – Paulo Laureano – Alicante Bouschet Tinto 05 Reg. Alent.
Fundação Eugénio de Almeida – Cartuxa Tinto 2005 DOC
Granacer – Tapada do Barão – Reserva Tinto 2005 Reg. Alentejano
Jorge Böhm – Plansel – T. Franca Col. Sel. Tinto 2005 Reg. Alentejano
Maria de Lourdes de Noronha Lopes – Comenda Grande Rosé 2007 Reg. Alent.
Soc. Empreend. de Agri. e Tur. – Reserva do Comendador Tinto 2005 Reg. Alent.
89 pontos
Quinta Vale Borrucho – Soc. Agro-Vitícola – Vale Borrucho Branco 06 Reg. Alent.
Fundação Eugénio de Almeida – Foral de Évora Branco 2006 DOC
Fundação Eugénio de Almeida – Foral de Évora – Colheita Tinto 2005 DOC
Adega Cooperativa de Borba – adegaborba.pt Rosé 2007 DOC
JJMR – Sociedade Agrícola – JJ Tinto 2006 Reg.Alentejano
Lima Mayer & Companhia – Lima Mayer Tinto 2005 Reg. Alentejano
Soc. Agrícola da Torre do Curvo – Torre do Frade – Res. Tinto 2005 Reg. Alent.
Altas Quintas – Altas Quintas – Mensagem de Aragonês Tinto 2005 Reg. Alent.
Quinta de Quetzal – Soc. Agrícola – Quetzal Branco 2005 DOC
Herdade do Perdigão – Terras de Monforte – Escolha Tinto 2005 Reg. Alent.
Paulo Laureano Vinus – Dolium – Escolha Antão Vaz Branco 2006 Reg. Alent.
S. Agr. Monte Novo e Figueirinha – Hde da Figueirinha – T. Nac. Tinto 05 Reg. Alent.
S. Agr. Monte Novo e Figueirinha – Hde da Figueirinha – Syrah Tinto 05 Reg. Alent.
Sociedade Agrícola de Torais – Torais Tinto 2005 Reg. Alentejano
A. Coop. de Borba – Antão Vaz & Arinto Branco 2006 Reg. Alent.
A. Coop. de Borba – Aragonez & Touriga Nacional Tinto 2006 Reg. Alent.
Marcolino Sebo – Visconde de Borba – Garrafeira Tinto 2003 DOC
Marcolino Sebo – Quinta da Pinheira Tinto 2005 DOC
Soc. Agr. Herdade dos Lagos – Herdade dos Lagos – Res. Tinto 2005 Reg. Alent.
S. Agr. Herdade dos Lagos – Herdade dos Lagos – Syrah Res. Tinto 05 Reg. Alent.
Granacer – Perolivas – Colheita Seleccionada Branco 2007 Reg. Alent.
Granacer – Perolivas – Reserva Tinto 2005 Reg. Alentejano
Jorge Böhm – Plansel Selecta Branco 2007 Reg. Alentejano
Jorge Böhm – Plansel Selecta – Antão Vaz Reserva Branco 2007 Reg. Alent.
BCH SA – Herdade da Calada – Block 3 Tinto 2006 Reg. Alentejano
Gonçalo de Sá Bandeira – Terras do Crato Tinto 2006 Reg. Alentejano
Fundação Abreu Callado – Dom Cosme – Reserva Tinto 2006 Reg. Alent.
Fundação Abreu Callado – Horta Palha – T. Nacional Tinto 2006 Reg. Alent.
Alenvinus – Joaquim Costa Vargas – Antão Vaz Branco 2007 Reg. Alent.
Maria de Lourdes de Noronha Lopes – Comenda Grande – Polémico Tin 05 R. Alent.
S. Ag. Gabriel Francisco Dias e Irmãs – Couteiro-Mor Espu. Bruto Nature Bra 2006
Algarve <<<
89 pontos
Qta dos Vales, Agr. e Tur. – Marquês dos Vales Selecta Tinto 2007 Reg. Algarve
Qta dos Vales, Agr. e Tur. – Marquês dos Vales Selecta Branco 2007 Reg. Algarve
Madeira <<<
91 pontos
Symington Family Estates – Alvada Madeira 5 Years


Expressivos, Saborosos e Agradáves
Desde a cepa até à garrafa, o vinho nasce, vive e evolui. O vinho é a expressão da terra, da generosidade dum “terroir” e revela a paixão do seu criador, que procura a qualidade e a satisfação do consumidor.
Na variedade de “opiniões”, nasce o gosto por um vinho, e por isso chamamos hoje a atenção para dois vinhos que nos proporcionaram momentos de satisfação e prazer pelo seu potencial organoleptico — Castelo Rodrigo Síria 2007 Beira Interior DOC da Adega Cooperativa de Figueira Castelo Rodrigo, CRL e o Borges Tinto 2005 Dão DOC Reserva, da Sociedade de Vinhos Borges SA.
Bento de Carvalho – Engenheiro Agrónomo
Borges Vinho Tinto Reserva 2006 Dão DOC
Sociedade de Vinhos Borges, SA
Em Nelas, a Sociedade dos Vinhos Borges SA é proprietária da emblemática Quinta de São Simão da Aguieira, que tem uma área de 67 hectares, possuindo uma das maiores áreas de vinha contínua da região vinícola do Dão.
O vinho tinto Borges Dão Reserva 2005 é produzido a partir das castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, com uma produção média de 30hl/ha, cujas cepas têm uma idade média de 10 anos, instaladas em solo granítico arenoso.
O vinho apresenta-se com grande riqueza de cor, granada profunda, tonalidades violáceas/arroxeadas brilhantes, 14,0% vol. álcool, tem um nariz poderoso exprimindo aromas frutados concentrados, intensos e densos, provenientes de fruta muito madura, notas de frutos negros, cassis e mirtilos, boca ampla, encorpado, tem taninos maduros que conferem estrutura e carácter ao vinho, muito equilibrado, persistente e longo. Grande poder de envelhecimento.
Foram produzidas 10.070 garrafas deste vinho que foi lançado no mercado recentemente, o PVP é de €15,00 e poderá ser encontrado nas principais garrafeiras do país.
91 PONTOS €15,00
Vamos apreciar todas as suas potencialidades organolepticas, a uma temperatura de 16-18ºC, a acompanhar um cabrito assado no forno à moda de Lafões.
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Castelo Rodrigo Síria Vinho Branco 2007 Beira Interior DOC
Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, CRL
No fundo da Serra de Marofa, entre os vales dos rios Côa e Águeda, situa-se Figueira de Castelo Rodrigo, vila de tradição vinícola onde se produzem vinhos de boa expressão qualitativa, que pertencem à Região Demarcada da Beira Interior, sub-região Castelo Rodrigo.
A Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, CRL, foi fundada em 1956 por 154 sócios, contando actualmente com 1200 associados, e na colheita de 2008 recebeu 3,5 milhões de quilos de uvas, das quais cerca de 55% são uvas brancas, sendo as castas Síria e Malvasia Fina as castas predominantes.
O vinho branco Castelo Rodrigo Síria 2007 Beira Interior DOC, apresenta-se com cor citrina pálida com ligeiras tonalidades esverdeadas, tem 13,0% vol. álcool, aspecto límpido e brilhante, nariz expressivo, fino, exprime aromas frutados elegantes, frescos e jovens associados a ligeiras notas de madeira e a fragâncias de frutos tropicais, a boca é bem constituida, equilibrado de acidez, a madeira encontra-se bem doseada até ao final de boca, é saboroso, agradável e persistente.
89 PONTOS €3,64
Foram produzidas 25.000 garrafas deste vinho, o preço da garrafa é €3,64 que pode ser encontrada nas superfícies comerciais Makro, Intermarché, Jumbo, Pingo Doce e Modelo. Vamos servi-lo a uma temperatura de 10-12ºC e apreciá-lo a acompanhar um fresco sargo ou robalo do mar bem grelhado.
Um ano excepcional, apesar da quebra na produção
A colheita de 2008 promete deixar uma herança de vinhos memoráveis. Quem o diz são enólogos das diferentes regiões vinícolas, que não hesitam em falar de um ano de qualidade excepcional
Os vinhos produzidos em Portugal no ano de 2008 apresentam um alto nível de qualidade, que superou mesmo as melhores expectativas dos produtores, segundo anunciou a ViniPortugal, depois de ter consultado enólogos ligados às diversas regiões vitivinícolas nacionais.
Para a elevada qualidade contribuiu grandemente a estabilidade climática verificada na altura da colheita, que proporcionou vinhos “de um modo geral equilibrados, muito concentrados na cor e nos aromas, com frescura e grande potencial de envelhecimento”.
Por outro lado, confirmaram-se as previsões de que, em termos de quantidade, a produção decresceu relativamente ao ano passado.
Na região dos vinhos verdes, a quebra da produção cifrou-se entre os 5 e os 10%, segundo o enólogo Manuel Soares, da Aveleda. Mas, no que toca à qualidade, 2008 foi “um ano surpreendentemente muito bom”, já que os vinhos se apresentam “muito equilibrados, frutados, frescos e elegantes”.
Na Bairrada, efectuou-se “uma colheita de grande qualidade para todos os tipos de vinho”, de acordo com o balanço de Luís Pato. “A vindima de 2008 foi excelente em qualidade para os brancos e vinhos base para espumante, e sobretudo para os tintos da casta Baga”. A queda da produção nos brancos foi de 30%, e nos tintos de 10% na casta Baga e 40% na Touriga Nacional.
No que se refere ao Douro, o enólogo Francisco Gonçalves, da Sogevinus Fine Wines, afirma que “ainda é prematuro avaliar a qualidade dos vinhos”, mas “a evolução da matéria-prima está a decorrer de uma forma bastante positiva” e, a manter-se, haverá “um ano muito interessante em termos qualitativos”.
A região do Dão teve “um ano fantástico”, segundo Carlos Lucas, da Dão Sul. “Os vinhos encontram-se a evoluir de forma positiva, são muito concentrados em cor, de graduação normal, com acidez muito equilibrada. Estamos perante um ano de vinhos com boa capacidade de envelhecimento”. A produção nos brancos diminuiu cerca de 10%, enquanto nos tintos se manteve nos parâmetros habituais.
Também na Estremadura se produziram “uvas de excelente qualidade que deram origem a vinhos excepcionais”, afirma José Luís Oliveira da Silva, da Casa Santos Lima. Nesta região, e ao contrário do que sucedeu nas outras, verificou-se um aumento de produção da ordem dos 18%.
“Um ano de qualidade muito boa” foi o que se registou igualmente no Ribatejo, de acordo com Rui Reguinga, da Casa Cadaval. Os vinhos produzidos na região são “de boa estrutura, equilibrados, com taninos suaves, frescos e algum potencial de envelhecimento”. O decréscimo na produção situa-se entre os 25 e os 30%.
Na Península de Setúbal, “a qualidade dos vinhos tintos é excepcional”, refere Jaime Quendera, da Adega Cooperativa de Pegões e da Casa Ermelinda Freitas. “É certamente uma colheita que irá deixar grandes vinhos para recordar, extremamente ricos e concentrados como raramente aparecem, isto em quase todos as castas”. Nos vinhos brancos ocorreu uma ligeira quebra na produção e nos tintos uma perda generalizada que ronda os 25%.
Luís Duarte, enólogo da Herdade dos Grous, também fala de “um ano excepcional” no Alentejo, com vinhos “muito equilibrados, devido ao Verão fresco que se fez sentir, o que permitiu excelentes maturações”. •
Fonte: ViniPortugal

Provados & Classificados 72/73
2009, ano de inquietações
Hoje parece que já ninguém tem dúvidas que estamos perante uma crise financeira grave e profunda a nível internacional. A crise financeira arrasa a economia mundial, e o risco da sua duração inquieta vivamente o futuro
Bento de Carvalho – Engenheiro Agrónomo
Falências de bancos, falta de credibilidade bancária, falta de liquidez financeira, falência de empresas, despedimentos colectivos, aumento de desemprego, falta de dinheiro na sociedade civil, etc…. provocam recessão económica a nível mundial, o que atinge drásticamente o emprego e o consumo. O sector vitivinícola não será excepção, e a crise tocará a todos.
Situações de crise exigem soluções de crise
No nosso país o Estado deu garantias de milhões de euros ao sector bancário para estabelecer segurança, credibilidade e liquidez, tanto a nível nacional como internacional. É essencial que o dinheiro chegue ao tecido empresarial das pequenas e médias empresas para estancar o desemprego e às famílias para aumentar o consumo e estabilizar a vida financeira da sociedade.
O consumo de vinho é um assunto de interesse vital para a manutenção, desenvolvimento e sobrevivência do sector vitivinícola.
A diminuição do consumo e a falta de apoios e de estratégia do sector, estão a afectar significativamente todos aqueles que vivem do vinho e para o vinho.
Com o mercado nacional saturado e em dificuldades, com a sociedade civil com pouco dinheiro, a exportação era, sem dúvida, um dos caminhos a percorrer.
Com a recessão económica a nível global, há muitos mercados importadores dos nossos vinhos em efectivas dificuldades económicas em que o consumo está a diminuir e os efeitos da crise estão já a notar-se, com maior incidência, no último semestre do ano passado.
No começo de 2009 a exportação vai perder ainda mais força.
Perante estes momentos difíceis, mesmo em tempo de crise, temos que beber mais vinho. É o momento em que o consumidor tem a oportunidade de descobrir novos vinhos, a complexidade de novos aromas e sabores a um preço convidativo, em que a factura não é muito pesada no bolso.
As nuvens que afectam a economia do país são negras e 2009 será um ano de dificuldades e incertezas.•

Edição 72/73
Seis anos depois, continuamos a acreditar
J. E. Aparício
A Nectar completou no mês de Janeiro seis anos de vida. Seis anos em que se dedicou a dar a conhecer o que de melhor se faz em Portugal no sector dos vinhos. A divulgar marcas, produtores, estabelecimentos, enólogos, castas, técnicas – em suma, tudo o que faz do sector um mundo tão vasto e apaixonante.
Ao longo destes seis anos, o panorama vinícola português mudou significativamente. Na maior parte dos casos, para melhor. Melhorou a qualidade média dos vinhos, melhorou a capacidade de competir nos mercados externos, melhorou o cuidado posto na apresentação dos produtos, melhorou a visibilidade no estrangeiro graças aos inúmeros prémios conquistados.
Dessas conquistas fomos dando conta aos leitores em cada edição. E também nós tentámos, mês após mês, melhorar o conteúdo da revista, e dessa forma contribuir para a melhoria geral do sector. Porque o nosso objectivo é, no fim de contas, o mesmo que o dos outros agentes que integram o mundo dos vinhos portugueses: torná-lo maior, mais forte, mais conceituado e mais reconhecido interna e externamente.
Estamos, portanto, de parabéns. Nós pelo nosso aniversário, o sector em geral pelos progressos que alcançou nestes seis anos. E que – são os nossos votos – vai continuar a alcançar neste novo ano, apesar das dificuldades que a economia mundial atravessa. •

A experiência e sabedoria do Vinho do Porto
É um prazer e um privilégio conversar com alguém assim. Só a experiência e dedicação ao sector do vinho do Porto podem criar o distanciamento e a sabedoria necessárias para convicções e opiniões tão profundas. O enólogo Martins Alves, director técnico da Gran Cruz e consultor da Sogevinus, que engloba as casas Calém, Barros, Burmester e Kopke, é um fervoroso adepto das potencialidades do Douro, que acredita poder evoluir ainda mais, não apenas no que se refere ao vinho do Porto, mas sobretudo na criação de vinhos DOC Douro de ainda maior qualidade. Para alguém que já fez de tudo no sector, Martins Alves prima pela modéstia e pela exigência em fazer ainda mais e melhor, que acredita dever ser apanágio de todos os enólogos. Ficamos a saber quais os segredos que estão por trás da produção de vinhos do Porto de qualidade e por que razão, como nos disse, os Vintage são os melhores. Mas Martins Alves não é só vinho do Porto. Herdeiro e descendente de viticultores, também os vinhos verdes merecem uma atenção particular a este enólogo.
Texto: Marc Barros
Nectar – Há quantos anos trabalha no sector dos vinhos?
Martins Alves – Comecei há 33 anos, depois de concluído o curso de Enologia na Escola Superior Agrária de Coimbra, com um colega que trabalhava na Sandeman. Na sala de provas estavam alguns vinhos, que provei e referenciei. Fui-me aperfeiçoando e fazendo vários estágios, desde a Facudade de Economia, passando pela casa Poças, e depois fui convidado para a Quinta do Noval, em 1978. Era na altura propriedade da família Vanzeller, onde trabalhei com os irmãos Fernando e Luís e o primo Frederico, que era o provador. Os provadores não tinham um curso específico à época mas tinham imensa prática de provas.
Ao fim de meio ano assumi a direcção técnica da casa, com apoio eventual na viticultura. Declarei o meu primeiro Vintage em 1980, do Noval Nacional, e depois em 1982, que tem um significado muito especial para mim pois, para além de ter sido muito bem classificado, foi o ano de nascimento da minha filha. Mais tarde, em 1988, saí do Noval e fui convidado para presidente da Câmara de Provadores do Instituto do Vinho do Porto. Comecei a dar cursos para provadores, ficando com um grupo de oito provadores e eu como presidente.
– À época a Câmara de Provadores funcionava de forma um pouco diferente…
– Funcionava em dois turnos, um de manhã e outro à tarde. Os vinhos eram provados em prova cega, por todos os provadores.
Hoje verifica-se (e ainda bem), que os vinhos são provados apenas da parte da manhã, o que não acontecia no meu tempo, como eu tentei. As provas devem ser feitas entre as dez e o meio-dia, e à tarde, se tiverem que ser feitas, só depois da 15h30. O provador deve ter cuidado com a alimentação, pois se tem um almoço com certos alimentos, estraga o paladar e prejudica as provas.
Ainda no Instituto dei um curso para escanções de 11 hotéis do Porto, e cursos de formadores para o quadro de provadores do IVP. De todos os cursos, estes foram os que tiveram as mais altas classificações de sempre. Dois ainda estão lá e outro numa firma exportadora.
– O que representa um grau de exigência muito elevado…
– Quem fez os exames foi a Junta Consultiva, que era composta por cinco elementos provenientes do sector, pessoas com muita prática e idoneidade, com 30 a 40 anos de serviço. Havia uma prova escrita, sobre as vinificações e outros aspectos dos vinhos, e uma prova prática, cega, com vinhos novos, velhos, com ou sem defeitos, para identificação.
– Quando recomeçou a trabalhar no sector privado?
– Comecei a trabalhar como consultor na Rozès, até que esta adquiriu a São Pedro das Águias. Enquanto a firma tinha os seus armazéns em Gaia, continuei, até ser convidado para director técnico da Gran Cruz, que inclui a marca C. Da Silva, e fiquei ainda como consultor da Calém, hoje propriedade do grupo Sogevinus, do qual ainda sou consultor.
A importância de criar um bébé
– No sector do vinho do Porto já fez tudo – director técnico, provador, formador. De todas estas actividades, qual lhe dá mais gozo?
– O que me dá mais prazer é fazer o vinho. É um desafio, ao fim de três meses após a vindima, saber orientar os vinhos, através das suas características analíticas e organolépticas, para as respectivas categorias. Esta é a parte mais importante, pois o vinho do Porto tem categorias muito distintas. Dou-lhe um exemplo: o Colheita só é comercializado a partir de Janeiro depois de sete anos passados após a sua vindima e de aprovado pelo Instituto. Mas, para isso, é preciso, sete anos antes, saber que aquele vinho, com três meses de idade, depois de concluídas as fermentações, dará um vinho daquela categoria. Mas, para além disso, é preciso acondicioná-lo na vasilha mais apropriada, acompanhá-lo, rectificá-lo, em suma, saber envelhecer o vinho. É quase como criar um bébé.
No caso dos tawnies com indicação de idade é preciso acompanhar o envelhecimento e fazer os lotes. Já o LBV é engarrafado quatro a seis anos após a vindima, acondicionado entre inox e madeira, por forma a obedecer aos regulamentos do Instituto, que pede vinhos tintos e encorpados, com aromas e paladares finos.
Os Vintage são os vinhos mais nobres, são os mais estruturados, com mais corpo, mais cor e que, desde a vindima até ao 3.º ou 4.º mês, temos que escolhê-los e dar-lhes a estabilização mais adequada àquele tipo de vinho. É engarrafado a partir da sua aprovação, dois anos depois da vindima, até Junho do terceiro ano, sendo que o envelhecimento é feito em garrafa, por redução.
– Há uma dupla tendência no consumo dos Vintage, entre os que preferem bebê-los desde logo, ou aqueles que preferem esperar alguns anos. Qual a sua perspectiva?
– Qualquer uma das alturas pode ser boa, consoante o gosto do consumidor. Na minha opinião, um Vintage com mais de 10 anos será ideal. Claro que podemos ter algumas surpresas, por exemplo provocadas por defeitos de rolha. Mas, para ser aprovado no IVDP, um Vintage tem que ter uma classificação de Excelente.
– Consegue definir um perfil de vinhos que seja mais ao seu gosto?
– Os vinhos que mais gosto são os Vintage, de onde procuro extrair alguns aromas especiais, como o aroma a esteva, e que seja encorpado e bem estruturado. Os aromas a frutos vermelhos, por exemplo, aparecem nos vinhos novos mas, com a idade, dão lugar a outros. Há mercado para vinhos novos, com quatro ou cinco anos, como o britânico ou norte-americano. Mas nestas idades são ainda um pouco pesados ao paladar e agressivos. Têm que aveludar com a idade, arredondando os taninos e tornando-se mais agradáveis.
O acompanhamento é também importante. Costumo dizer que o melhor é o Queijo da Serra, que ainda por cima é nosso, mas outros queijos, como o Camembert ou o Brie, são igualmente propícios.
– Dentro das categorias especiais, alguns enólogos preferem fazer Tawnies com indicação de idade a Vintage ou LBV devido ao desafio do loteamento. Partilha dessa preferência?
– Não, pois o Vintage não deve ser feito todos os anos. Há firmas que o fazem anualmente e o Douro tem condições para declarar Vintage todos os anos. Mas três ou quatro por década é o ideal, até para não banalizar a categoria. É, na minha opinião, o melhor vinho. Costuma-se dizer que o Vintage é um dom de Deus com a ajuda dos técnicos. Quanto aos outros, o lote é feito pelos enólogos mas também é feito na vindima. A vinificação pode ser feita com orientações distintas, com maiores ou menores quantidades. Mas o lote deve ser feito por forma a manter a estabilidade qualitativa. A Gran Cruz faz, nas três firmas, 20 milhões de garrafas de tawnies e é preciso saber escolher bem os vinhos, dar-lhes o tratamento adequado e mais tarde fazer os lotes. Fazer lotes de pequeno volume é fácil.
A exigência do enólogo
– Qual a quantidade de vinho do Porto produzida anualmente sob a sua supervisão?
– Cerca de 22 milhões de litros. Mas repare, é tudo um trabalho de equipa. Na Gran Cruz sou director técnico e nas outras firmas sou consultor, mas em qualquer dos casos não trabalho sozinho. Cada qual tem a sua função, todos conhecem os vinhos, fazem as análises, as correcções, conforme as indicações, consoante certos parâmetros que devem ser preservados.
– Mas é um trabalho exigente…
– Esta última vindima percorri 4500 quilómetros, num espaço de três semanas, só na região do Douro. Convidaram-me para orientar uma vindima em seis centros de vinificação – Régua, Lamego, S. João da Pesqueira, Sanfins, Alijó, Pegarinhos e Vila Flor, com um enólogo em cada adega.
– A Gran Cruz compra os vinhos e a Sogevinus tem produção própria, apesar de também adquirir vinhos a outros produtores. Há diferença no que toca ao controlo de qualidade dos vinhos?
– O controlo é idêntico, pois na Gran Cruz temos fornecedores contratados há muitos anos e fazemos o seu acompanhamento e orientação. Não quero dizer que não haja um acompanhamento mais próximo no caso de a firma possuir propriedades, mas esta tem sempre que adquirir vinhos a fornecedores.
– O consumo de vinho do Porto está ainda associado a datas especiais, como aniversários ou festas. Como se pode contrariar esses hábitos?
– São hábitos errados, pois o vinho do Porto tem lugar a qualquer altura, dada a diversidade de categorias. É preciso saber seleccionar o tipo de vinho em função do momento, e mesmo a melhor forma de o servir. Por outro lado, costumo dizer que o vinho roda: o médico, que não cobrou a consulta, foi presenteado com o vinho, e este mais tarde oferece a alguém por qualquer razão, mas o vinho não é aberto. Isto é mau, para as firmas e para o próprio vinho.
Por outro lado, o vinho do Porto não é uma bebida da noite, e fica para trás em relação a outras bebidas, como as bebidas brancas e os «shots», muito mais alcoólicas e prejudiciais à saúde. A idade do consumidor de vinhos do Porto é avançada, e é preciso fazer os jovens regressarem ao vinho do Porto. Talvez as novas categorias, como o Pink, possam ser importantes, mas é preciso fazer um trabalho mais profundo no que toca à promoção e elucidação dos consumidores.
É preciso também apostar na formação dos que trabalham com o vinho, sobretudo na hotelaria. Os escanções tem um papel muito especial nesse sentido. Vemos que restaurantes e hotéis têm, na sua maioria, garrafas de bebidas brancas e, ao lado, quase escondida, uma garrafa de vinho do Porto. É preciso contrariar a ideia de que o vinho do Porto só se abre na Páscoa ou pelo Natal.
– Tem ideia de quantos prémios já arrecadou ao longo do seu percurso como enólogo?
– Na Gran Cruz só participamos em concursos há cerca de seis anos. Não havia esse hábito no sector até tempos recentes, mas creio que é importante, até para testarmos as nossas capacidades. Um enólogo deve ser ambicioso, deve querer fazer mais e melhor. Até porque os vinhos nunca são semelhantes, mas o técnico tem a responsabilidade de fazer o melhor possível com as colheitas que tem. Na Gran Cruz foram arrecadados 240 prémios em seis anos, inclusivé o Tawny Cruz, do qual são feitas sete milhões de garrafas, foi galardoado com ouro. No conjunto, creio que serão cinco ou seis centenas de prémios que ganhei, em todo o mundo. Mas é tudo um trabalho de equipa. Aliás, também fiz parte do júri de alguns concursos, como o Cidade do Porto e do Wine Masters Challenge, onde fui convidado para ser presidente do júri em 2007.
– Que região gostaria que o Douro pudesse vir a ser no futuro?
– A região está em franco progresso e dentro de poucos anos, com os investimentos que estão a ser realizados nas vinhas, o futuro do sector do vinho do Porto está assegurado, e os vinhos de mesa podem ir mais além. Muitas casas estão a apostar neste segmento, com firmas que vêm de fora a investir na região. São criadas novas formas de vinificação, novos sistemas de condução. Por isso a qualidade será cada vez melhor. O Douro tem capacidade para produzir melhores vinhos e de competir com outros vinhos de todo o mundo. Fico contente porque o Douro vai ser melhor do que já é. •
Uma herança de vinhos verdes
– Como se o trabalho não lhe chegasse, tem ainda a sua propriedade, na região dos vinhos verdes, mais propriamente em Gondomar.
– É uma propriedade familiar com quatro hectares de vinha que vai na terceira geração, já que eu próprio descendo de viticultores. Está plantada com as castas recomendadas, como o Loureiro, Trajadura e um pouco de Azal, para além de um pequeno pomar. A plantação foi feita por mim, reconvertendo as ramadas, do tempo do meu pai, em cordão simples e, em alguns casos, cordão duplo. Resolvi ainda mecanizar a vinha e fazer uma adega equipada. É um hobby que tenho, tento fazer algo com qualidade, pois se não fosse assim a propriedade teria outra estrutura.– Mas não lançou uma marca…
– Não, pois a quinta não produz a quantidade suficiente para tal, já que saem cerca de 30 mil litros por ano. Por outro lado, teria que fazer um grande investimento. Tinha também que optar entre o vinho do Porto e aquela propriedade, pois não teria tempo para tudo. O vinho verde também não é tão rentável. Desta forma, vendo a uva a um vinificador.– Sendo filho de viticultores, há alguém na família disposto a continuar a tradição?
– Tenho uma filha, professora licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, que está a tirar um mestrado, e um filho que está no 12.º ano. Ficará como hobby para eles. Tenho pena, pois é uma propriedade muito antiga, mas ao mesmo tempo tenho que concordar que o vinho verde não é rentável na minha zona e há muitas vinhas abandonadas e cortadas.
Por isso a cultura deverá ser alterada no futuro, mas enquanto eu puder, vai-se manter. •
O futuro da região
– Conhece o sector como poucos e acompanhou as evoluções da região, incluindo a recente explosão dos vinhos DOC. Foram também lançados novos tipos de vinho do Porto. Acredita que o Douro tem espaço, a longo prazo, para estes dois tipos de vinho?
– Quando comecei a trabalhar vendia-se muito vinho a granel, sendo que o Instituto não tinha grande controlo sobre esses vinhos no exterior, onde eram engarrafados. À época, o actual proprietário da Gran Cruz, Jean Caiard, comprava aqui os vinhos e engarrafava-os em Paris. Depois teve a feliz ideia de comprar uma firma antiga, a Ramos Assunção, que se converteu em Gran Cruz, acabando com o granel. Desta forma, o consumidor tem total garantia do produto que compra e este é feito em Portugal. A Gran Cruz foi pioneira nesta política, que teve bons resultados e situação.
No caso do Douro, não havia vinhos de mesa, que eram apenas para «a destilação e para a beberagem do pessoal», como se dizia. Na década de 90 tivémos uma explosão de marcas, algumas com muito sucesso e vinhos extraordinários, até porque a região, com as suas características e castas, presta-se a esta produção. Há marcas, com pequenos volumes, que passam por dificuldades, mas a região está a ser cobiçada por firmas e enólogos de outras regiões para aí fazerem vinhos – o exemplo mais recente veio do Esporão, que comprou a Quinta dos Murças, entre outros.– Não teme que, por exemplo, ao se fazerem vinhos DOC, está-se a retirar matéria-prima para a produção de vinhos do Porto?
– Não, porque o vinho do Porto é muito valorizado pelos exportadores. Os produtores e viticultores sabem que vão vender vinhos do Porto a 1000 ou 1200 euros a pipa e os vinhos de mesa a 200 ou 300 euros. Há espaço para ambas as produções.
O importante é que se faça um bom trabalho na vinha, com castas adequadas, e nas vinificações. Veja-se o ano passado, que foi um ano regular, e tivémos vinhos espectaculares.– Há vozes que pedem reformas no Douro, casos do sistema de benefício ou da Lei do Terço. Que lhe parece?
– Estão a ser estudadas formas de acabar com os quantitativos do benefício, cabendo aos produtores e adegas fazerem vinhos da melhor qualidade possível, para que os exportadores possam também adquirir vinhos de qualidade. É ao Instituto que cabe fazer o controlo de qualidade dos vinhos, desde o princípio até ao consumidor; tanto tira amostras nas linhas de engarrafamento como vai aos pontos de venda, seja em Portugal, seja no exterior, e compara com as amostras registadas no Instituto. Se não estiver conforme, pode cancelar a venda desses vinhos. Creio que isso é que é importante, que seja feito um controlo cada vez mais apertado sobre a qualidade dos vinhos, preservando uma estabilização das características organolépticas e analíticas dos vinhos. •
Considerações gerais sobre a temática da higiénie na enologia
Texto: António Jordão
As preocupações de higiene ocupam, cada vez mais, um lugar de relevo em todo o processo de elaboração, conservação e estabilização dos vinhos. Até à relativamente pouco tempo, existia a convicção generalizada de que o próprio vinho apresentava por si só uma elevada capacidade de auto-conservação. Tal facto, resultava da ideia existente que o vinho devido ao seu baixo pH, ao seu teor alcoólico e ainda à presença de dióxido de enxofre, estaria devidamente protegido contra os problemas associados à falta de higiene. No entanto, a realidade demonstra que o vinho é uma bebida ‘frágil’, que facilmente absorve sabores e odores dos materiais com que contacta, assim como da própria atmosfera que o envolve, sendo também muito susceptível a alterações provocadas pela presença e desenvolvimento de microrganismos.
Assim, a aplicação de boas práticas de higiene ao longo de todo o processo produtivo, limitam o desenvolvimento de microrganismos no vinho, e consequentemente, as alterações organolépticas e físico-químicas, potenciando tal facto a qualidade final dos vinhos produzidos.
Procedimentos de Higiene
Tal como acontece em todos os sectores da indústria alimentar, as questões associadas à higiene devem apresentar um carácter preventivo, em detrimento de uma abordagem correctiva/curativa. Esta abordagem preventiva permite pois controlar todo o processo enológico sem sobressaltos e evitar procedimentos que possam ser encarados como agressivos (e que em muitos dos casos poderão ter um impacto negativo na qualidade dos vinhos) e que evitem um aumento dos custos associados aos procedimentos de higiene.
Os procedimentos de higiene na indústria enológica passam pela adopção de várias medidas, nomeadamente, pela utilização de materiais de mais fácil lavagem e desinfecção (por exemplo depósitos e tubagens de aço inoxidável), pelo uso de produtos de lavagem e desinfecção e ainda pelo recurso a meios físicos de desinfecção (por exemplo o vapor de água e a água quente).
As várias partes que compõem as instalações de uma adega, devem ser limpas regularmente de acordo com os procedimentos estabelecidos nos planos de higiene. No geral, os planos de higiene incluem, a execução dos procedimentos de higiene, a sua periodicidade, os produtos e equipamentos a utilizar e respectivos parâmetros de utilização e dosagem. De salientar que todos os procedimentos estabelecidos no plano de higiene, devem ser incluídos num plano de autocontrolo e de validação final dos procedimentos, de forma a avaliar a eficácia de todo o plano de higienização estabelecido.
Os Materiais Utilizados e Tipos de Sujidades
Actualmente o material mais utilizado na enologia é o aço inoxidável, sendo este o mais higiénico dos materiais usados nas adegas. No entanto, há que ter em consideração que existem vários tipos de aço, sendo aqueles que apresentam uma baixa rugosidade, os que deverão ter uma utilização mais privilegiada. A baixa rugosidade influencia a eficácia da higienização, nomeadamente ao nível do tempo necessário para a limpeza da superfície, alem de reduzir os problemas associados à acumulação de sujidades relacionadas com irregularidades e fissuras.
Embora a utilização do aço inoxidável tenha nos dias de hoje uma utilização generalizada, ainda é possível encontrar em muitas adegas, locais e equipamentos onde o cimento é utilizado como material de revestimento. O cimento alem de ser rugoso e de difícil higienização, poderá contribuir negativamente para a estabilidade dos vinhos devido à sua riqueza, nomeadamente em cálcio que facilmente é cedido ao vinho. Assim, torna-se de primordial importância evitar que este material contacte directamente com o vinho, sendo para tal necessário proceder ao seu isolamento, preferencialmente com resinas epoxídicas.
Apesar de nos últimos anos muitos dos equipamentos enológicos terem deixado de ter na sua composição (mais concretamente nas partes que estão em contacto com os mostos e vinhos) o ferro, este elemento ainda é possível de encontrar em alguns equipamentos. Assim, neste caso haverá que ter consciência que o contacto prolongado deste material com o vinho conduz à migração de iões ferro, que no futuro poderão contribuir para um aumento dos teores deste elemento e consequentemente para o perigo do surgimento de casses férricas nos vinhos. Ainda relativamente às superfícies em ferro, é importante referir que se deverá de evitar a utilização de produtos ácidos ou oxidantes nos processos de higienização, visto estes produtos terem um efeito negativo sobre o ferro.
Por último, há ainda a referir que a madeira, que embora tenha tido no passado um uso mais generalizado, actualmente tende a recuperar a sua importância, nomeadamente através da conservação e envelhecimento dos vinhos em barricas. Neste caso, alem de procedimentos específicos recomendados pelos fabricantes das barricas de madeira, haverá que ter em atenção que este material devido à sua elevada porosidade, facilita a retenção das diferentes sujidades, assim como da actividade de microrganismos, sendo como tal de difícil lavagem e desinfecção.
No que diz respeito aos tipos de sujidades, podemos ter dois grandes grupos: as sujidades orgânicas e as sujidades inorgânicas. No caso das sujidades orgânicas, estas são compostas por resíduos de vinhos, leveduras, bactérias e tartarátos, enquanto que as sujidades inorgânicas, são compostas por resíduos resultantes da dureza da água que podem reagir com os componentes do mosto formados durante a fermentação, conduzindo à formação de compostos insolúveis. Estes compostos formados poderão combinar-se ainda com a sujidade orgânica.
A Limpeza e a Desinfecção
A limpeza e a desinfecção são muitas das vezes conceitos confundidos como sendo um só. Porém na realidade tal não acontece, sendo que a limpeza e as operações a si associadas têm como objectivo geral a eliminação de resíduos mais ou menos grosseiros, sem no entanto se proceder à redução ou eliminação da população de microrganismos presentes.
As operações de limpeza devem ser efectuadas logo após a utilização dos equipamentos, recorrendo-se para tal à acção mecânica combinada com a aplicação de produtos químicos que apresentem uma elevada eficácia e uma boa compatibilidade com os materiais a higienizar.
Existem 4 factores importantes a considerar quando se efectua a limpeza dos equipamentos e das superfícies numa adega: a temperatura (o seu incremento em algumas situações poderá melhorar a limpeza, embora não devam ser demasiadamente elevadas devido entre outros casos às resistências dos materiais), o tempo (quanto maior, mais eficaz poderá ser a limpeza), a acção mecânica (o seu aumento influenciará positivamente a eficácia da limpeza, devendo no entanto ter-se em atenção a resistência e a estabilidade dos materiais às forças que possam ser exercidas) e a concentração do produto de limpeza utilizado (o aumento da concentração conduz a um aumento da eficácia da limpeza, embora a partir de certos valores os incrementos de eficácia sejam reduzidos).
No caso da desinfecção, esta deverá ser efectuada após a limpeza dos equipamentos, tendo como principal efeito a eliminação ou redução da população de microrganismos. Ter em atenção no entanto, que esta operação é limitada no tempo, pelo que deverá ser desejável a não existência de longos períodos entre a desinfecção e a utilização dos equipamentos da adega, visto que a sua eficácia poderá ser fortemente reduzida.
Actualmente, existem vários produtos de desinfecção no mercado que apresentam um espectro de acção sobre uma grande variedade de microrganismos. Muitos desses produtos têm como principio activo de base o ácido peroxiacético. De salientar que é prática comum actualmente, o recurso a produtos que apresentam uma acção combinada de detergente e de desinfectante, permitindo efectuar as operações de higiene de forma mais rápida.
Aplicação dos Procedimentos de Higiene
Numa adega existem em termos gerais 4 grandes zonas, onde os procedimentos de higiene são aplicados de forma diferente (pelo menos em termos de exigência e de eficácia). Estas 4 zonas podem ser distribuídas da seguinte forma: a zona de recepção das uvas, os locais de vinificação e de armazenamento do vinho, a zona de enchimento e ainda as instalações no seu geral.
Na zona de recepção das uvas (incluindo os materiais utilizados na vindima) a solução de higienização passa fundamentalmente pela aplicação de produtos de higiene à base de espumas alcalinas. Estes produtos são de fácil e rápida aplicação, permitindo higienizar zonas de difícil acesso.
Nos equipamentos existentes nos locais de vinificação e de armazenamento dos vinhos, a higienização pode passar pela utilização de sistemas integrados de higiene (por exemplo procedimentos CIP), onde são utilizados detergentes alcalinos fortes e desinfectantes. Nestas zonas deve dar-se especial atenção a alguns locais específicos, como sejam, torneiras, sondas, juntas e válvulas.
No caso da zona de engarrafamento, os cuidados com a higienização deverão ser extremamente importantes, quer ao nível dos circuitos internos, quer ao nível do exterior dos equipamentos e do ambiente que envolve esta zona da adega. Aqui deverá ser dada especial atenção à higiene dos filtros, das enchedoras e das rolhadoras. No caso dos filtros, deverá ser prestada atenção ao facto de serem utilizados periodicamente detergentes específicos para as membranas com o objectivo de remover as sujidades que ficam retidas pelos filtros. Por sua vez nas enchedoras, os procedimentos mais eficazes passam pela utilização de sistemas de limpeza CIP que permitem a circulação das soluções de limpeza e de desinfecção. Contudo na grande maioria das adegas este sistema ainda não se encontra muito vulgarizado. No caso das rolhadoras, a aplicação de soluções detergentes neutras, bem como de desinfectantes específicos de base alcoólica permite obter bons resultados.
No caso das instalações da adega no geral, de salientar que se torna importante estas serem mantidas com níveis elevados de higiene, não só por questões de imagem mas também pelo facto da presença de sujidades (qualquer que seja a sua natureza) poderem ser potenciais focos de contaminação de toda a adega e consequentemente do vinho aí produzido.
Embora seja referido em último lugar, não é de menor importância a questão da higiene de todo o pessoal envolvido em todas as fases do processo produtivo, sendo de extrema importância sensibilizar todos os elementos envolvidos para a relevância que assume a higiene pessoal, como seja por exemplo para a necessidade de desinfecção das mãos antes de qualquer intervenção no processo, nomeadamente em zonas ‘sensíveis’ como é o caso dos locais de engarrafamento. •

Garrafeira D’Almada
Uma pequena loja repleta de grandes vinhos
O espaço é curto, mas a oferta é grande e de qualidade. A Garrafeira D’Almada dispõe de cerca de 900 referências de vinhos, boa parte deles de gama alta, e alguns difíceis de encontrar noutros locais. Por isso, há quem não se importe de atravessar o Tejo para a visitar.
Reportagem: Nuno Xavier
Tal como os homens, também as lojas não se medem aos palmos. A prova disso é a Garrafeira D’Almada, um estabelecimento com escassos 16 metros quadrados que, apesar das reduzidas dimensões, alberga um valioso espólio de vinhos e bebidas espirituosas que o faz ser visitado regulamente por muitos e exigentes apreciadores, alguns dos quais provenientes da margem norte do Tejo.
O responsável pela proeza é Alexandre Elbling, que no final da década de 1980 criou a empresa Garrafeira D’Almada, inicialmente dedicada em exclusivo à venda de vinho a retalho, sobretudo para restaurantes. Em 1996, abria a loja de venda ao público, na Avenida Prof. Egas Moniz, situada na zona central da cidade que dá o nome à garrafeira.
Desde então, a loja angariou um conjunto de centenas de clientes fiéis, devido à política posta em prática pelo proprietário: praticar preços inferiores aos dos estabelecimentos semelhantes, estar atento às novidades que vão surgindo no mercado e dar uma atenção especial a cada cliente – o que implica, por exemplo, conhecer os seus gostos e preferências, ou empenhar-se em satisfazer todos os pedidos, por mais difícil que seja encontrar um determinado vinho.
Graças a esta política, há muito que a Garrafeira D’Almada expandiu o seu universo de clientes para além da Margem Sul do Tejo. “Temos clientes de Cascais, do Estoril, de Lisboa… Alguns vêm cá há anos”, afirma Alexandre Elbling. Há ainda muitos clientes que já nem precisam de deslocar-se à garrafeira, uma vez que recebem regulamente por e-mail informações sobre as novidades disponíveis. Estas informações são enviadas para uma lista com centenas de contactos de clientes, parte dos quais opta por fazer as suas compras também através do correio electrónico.
Topos de gama mais procurados
Embora pequena, a Garrafeira D’Almada, com as suas quatro paredes literalmente forradas de garrafas, aloja “entre 800 e 900 referências, só de vinhos”. A estas juntam-se mais umas largas dezenas de marcas de outras bebidas, com destaque para uma notável selecção de uísques de malte, composta por cerca de 50 referências, algumas das quais raras no mercado português – o que justifica que esta seja outra área em que o estabelecimento tem clientes fiéis. Na loja, há ainda espaço para uma prateleira dedicada aos produtos gourmet, como azeites, ovas de sardinha, doce de figo ou flor de sal.
Dos vinhos, “o que se vende melhor são os ‘mitos’”, diz Alexandre Elbling, referindo-se ao Pêra-Manca, ao Barca Velha e ao Redoma Reserva. Também os outros topos de gama registam boas vendas, porque “quem se habitua a uma certa qualidade depois não quer vinhos com menos qualidade”. A garrafeira também dispõe de uma grande selecção de vinhos de gama média, mas as vendas são menores. A este propósito, e tendo em conta a crise económica que Portugal e a generalidade dos países do mundo atravessam, o proprietário resume o que se passou nos meses mais recentes:
“Os clientes não deixam de comprar vinhos de gama alta, mas compram em menores quantidades”.
Este cenário tem, no entanto, tendência a alterar-se devido à política de preços praticada por produtores e distribuidores. “Pinta-se demais a manta sobre os custos de produção e os produtores e distribuidores aproveitam para subir os preços”. O resultado é que se encontram à venda “vinhos a 30 e 40 euros que não têm qualidade” que justifique este valor. Alexandre Elbling deixa, por isso, um aviso: “Por enquanto, os vinhos que aumentam mais de preço são os que se vendem mais depressa. Mas um dia destes isto acaba!”.
Aliás, prossegue o empresário, há já casos de “vinhos que se vendiam bem há quatro ou cinco anos e hoje ninguém os quer”. Uma situação que resulta do aumento exagerado dos preços, mas mais ainda da “degradação da imagem do produto”. Também esta degradação é,
na opinião de Alexandre Elbling,
da responsabilidade de produtores e distribuidores, que “metem os vinhos em tudo quanto é sítio” – nomeadamente nas grandes superfícies, onde a forma como os produtos são expostos e tratados leva a que dificilmente uma marca consiga manter uma imagem diferenciada das restantes.
As criticas do fundador da Garrafeira D’Almada dirigem-se em particular ao que acontece com os preços dos vinhos brancos, que não correspondem à qualidade da maioria dos produtos. “Temos cinco ou seis brancos realmente bons”, afirma, justificando o facto de a esmagadora maioria dos vinhos presentes na sua loja serem tintos. E, ainda sobre os preços, desabafa: “Há produtores que parece que nunca beberam os brancos da Nova Zelândia ou de França” – vinhos que, aliás, a garrafeira também tem para venda.
Douro lidera procura
No que toca a regiões, a mais procurada é a do Douro, embora a garrafeira se situe a sul do Tejo. De resto, Alexandre Elbling não tem dúvidas de que o Douro é a região que, pelo seu terroir, tem potencial para produzir melhores vinhos. Sobre o Alentejo, diz que as características do solo e o clima levam a que a maioria dos vinhos sejam “parecidos uns com os outros”. Excluem-se deste cenário os topos de gama, que são precisamente os que mais se vendem, já que os clientes da garrafeira são, na generalidade, pessoas exigentes e informadas. Outra região que regista uma boa procura, também ao nível dos topos de gama, é a do Dão.
Nas prateleiras mais elevadas da Garrafeira D’Almada pode admirar-se uma interessante colecção de garrafas de vinho do Porto, outro produto que se vende em boas quantidades, e mais uma vez com destaque para os topos de gama.
O mesmo se passa com os moscatéis, categoria de que a garrafeira conserva alguns exemplares que já dificilmente se encontram no mercado.
Além das garrafas em exposição, Alexandre Elbling tem ainda, na sua colecção particular, “mais de 1000 garrafas de moscatel e 2000 de Porto”, todas de gama alta, que em princípio não se destinam à venda. O que não significa que possam ser transaccionadas, caso apareça algum interessado. •

Garrafeira Mood for Wine
Diversidade no centro de negócios do Porto
A criação de um espaço integrado de gastronomia no Porto Palácio Congress Hotel & Spa exigiu uma oferta de vinhos diversa e, sobretudo, um conceito de garrafeira deveras inovador. A Mood for Wine nasceu para dar resposta a esse desafio.
Texto: Marc Barros
A remodelação, em 2007, do Porto Palácio Congress Hotel & Spa, que integra o universo Sonae, deu origem a cinco restaurantes com propostas tão diversas que vão desde a cozinha japonesa ou italiana, passando por uma oferta gourmet ou mesmo as típicas francesinhas. Daí que os seus responsáveis tenham decidido criar uma garrafeira que fosse capaz não apenas de servir todos os espaços de restauração, mas também de criar um leque diversificado de oferta vínica, num espaço atraente e funcional. Em suma, este é o conceito da garrafeira Mood for Wine.
O Porto Palácio Congress Hotel & Spa, localizado na central e exclusiva Avenida da Boavista, o grande centro de negócios da cidade, avançou com um conceito de restauração inovador na cidade, promovendo a experimentação de várias propostas gastronómicas, conduzidas pela mão firme e sabedora do chef Hélio Loureiro, pelo que decidiu criar o conceito de garrafeira “com um variado leque de opções, gerando a necessidade de acompanhar essa oferta gastronómica com uma renovada e ampliada carta de vinhos”, recorda Miguel Ribeiro, director de F&B do Porto Palácio.
No seu conjunto, os restaurantes gourmet-grill Le Coin, o italiano Grappa,
o restaurante sushi Góshô, o wellness corner Vita Pura e o Porto Beer, sem esquecer o VIP Lounge, privilegiadamente situado no terraço do hotel, proporcionam um conjunto único de sabores que requerem um adequado acompanhamento de vinhos, com cartas variadas e, sobretudo, «democráticas». A selecção foi movida pela preocupação de “ter vinhos disponíveis para todos, com preços desde os 12 euros aos 3100 euros, dinâmica, com grande capacidade de rotatividade mas com preocupações de qualidade”.
Porto e Douro dominam
Acompanhado pela formação e consultoria de Carlos Magalhâes, produtor e professor na Escola Superior de Hotelaria do Porto, o projecto resultou numa selecção de produtos efectuada por outros três responsáveis: o então sommellier Abílio Nogueira e Miguel Ribeiro e Ricardo Ferreira na direcção de F&B.
E, como não poderia deixar de ser, é composta em cerca de 70% por vinhos do Douro e Porto. Neste capítulo, a selecção “procurou fazer um esforço no sentido de incluir todas as casas produtoras. Começámos pelos tawny mais recentes, seguindo-se os vinhos com indicação de idade” – 20, 30 e mais de 40 anos
(a categoria mais procurada, confidencia Miguel Ribeiro), e “prolongámos a oferta pelos LBV e Vintage”, estes também muito procurados mas mais caros (sobretudo os mais velhos), numa selecção dos melhores anos. Ao todo, são 128 referências de vinho do Porto, sendo que “a região do Douro foi também contemplada com uma abordagem mais exaustiva”, que vai desde a marca Vila Régia aos topo de gama Quinta da Leda, Vale Meão e Barca Velha.
Porém, as outras regiões nacionais não foram descuradas. Depois de ter as referências mais representativas das várias regiões, a selecção pretendeu ainda incidir sobre os vinhos monocasta. Trata-se, segundo Miguel Ribeiro, de apostar na “divulgação das castas autóctones”, trabalho esse “que não é fácil e tem maior aceitação junto dos estrangeiros, que estão habituados a beber vinhos das chamadas castas internacionais e aqui encontram algo novo”. Nas diversas regiões nacionais, o director de F&B do Porto Palácio destaca como regiões mais procuradas o Alentejo e ressalta o Dão, “esquecida durante muitos anos e que agora produz óptimos vinhos a preços muito bons, tornando estes produtos muito competitivos”.
Também as mais representativas regiões mundiais não foram esquecidas, “resultado do próprio histórico do hotel”, quedando-se por algumas das regiões mais características e conhecidas do público, desde Espanha, França, Itália, Nova Zelândia (Villa Maria e Framingham), Austrália, EUA (Napa Valley), Chile (Alma Viva) ou Argentina, com os clássicos representantivos de cada região produtora. “Não queremos alargar muito esta oferta, porque falamos de grandes investimentos, mas temos os mais representativos. Até porque, como estamos no Porto, fará mais sentido optar por vinhos da região”. Segundo Miguel Ribeiro, “não é normal um estrangeiro pedir vinhos internacionais, pois prefere provar e conhecer os vinhos do Porto e Douro”. Aliás, curiosamente, são os clientes nacionais quem mais pede e escolhe vinhos estrangeiros, sobretudo Cava e Champagnes.
Actualmemente com 390 referências e 1700 garrafas, a selecção inicial “ultrapassou em muito o investimento previsto de 80 mil euros, pelo que houve necessidade de efectuar muitas correcções, sobretudo ao nível dos vinhos do Porto e em alguns anos de colheita, nomeadamente nos Prémier Crú”. Como curiosidade, registe-se que, dos três vinhos mais caros, apenas um é português, um vinho do Porto Vintage da Real Companhia Velha, que se fica por uns «modestos» 2700 euros, não muito distantes dos 3100 pedidos pelo branco biológico Montrachet Romanée Conti 2002 ou dos 1900 euros que custa uma garrafa de Château Petrus 2001.
O dinamismo das cartas de vinhos afere-se pela regularidade da sua modificação, de periodicidade mensal, e na “introdução de novas colheitas ou novas referências”, através de provas também elas mensais. Estas são provas cegas, em que o vinho é provado pela equipa e no final é feita uma sugestão de preço de compra e de venda. Por vezes “surgem surpresas, com vinhos tendencialmente mais em conta a serem classificados como vinhos caros e vice-versa, com vinhos caros no mercado e que, na prova, não justificam esse preço”, explica Miguel Ribeiro.
Preço vs. serviço
Uma questão sempre delicada prende-se com a fixação de preços dos vinhos nos restaurantes, tema polémico e sobre o qual incidem fortes queixas, quer por parte dos consumidores, quer mesmo dos produtores, que reclamam das elevadas margens apostas pelos estabelecimentos de restauração e que induzem à quebra no consumo do vinho.
Os preços estabelecidos pelo Porto Palácio são fixados “em função do preço de compra, com um vinho caro com tendência para ter margens mais reduzidas”, enquanto que no segmento chamado preço/qualidade “as margens são multiplicadas em média por 1,5 ou 2”. Na perspectiva de Miguel Ribeiro, este dado é importante “se pensarmos que, há uns anos atrás, estas margens poderia ir até cinco vezes mais num hotel de cinco estrelas”.
Por outro lado, continua, “o cliente não paga apenas um vinho – paga um serviço, copos, formação adequada dos funcionários, sistemas de armazenamento e climatização dos vinhos guardados. Procuramos estabelecer uma prática de valor justo” face a outros estabelecimentos com um nível de serviço “inferior mas cujos preços se equiparam aos nossos”. E, como assegura aquele responsável, “os clientes valorizam cada vez mais esses pormenores”. Por outro lado, “caso optem por não pedir uma garrafa, podem sempre recorrer ao serviço de vinho a copo, dentro de uma carta de 20 referências das várias regiões nacionais”.
Porém, vinhos há na Mood for Wine em que esse percentual médio é mais baixo. “No caso dos vinhos do Porto, um Vintage 2005 que custe no mercado 80 euros não poderá ter um preço de garrafeira acima dos 125 ou 130 euros, porque a nossa política privilegia sobretudo a rotatividade dos vinhos que temos em stock”.
As tendências de consumo
A diversificação da oferta gastronómica permite ainda estabelecer padrões tendencias de consumo dos vinhos em função dos restaurantes. E se “a maioria dos clientes procura vinhos relativamente jovens, das colheitas mais recentes, frutados, frescos e com madeira, mais exuberantes e que apostam na relação qualidade /preço”, trabalho esse que os enólogos têm vindo a desenvolver na produção de vinhos de consumo mais imediato, já “os vinhos mais velhos, os reserva ou os monocasta necessitam claramente do trabalho da equipa, com uma sugestão ou uma boa combinação com os pratos, até porque os clientes são mais conhecedores. É óbvio que algumas referências, por serem mais conhecidas, não precisam desse trabalho, vendem-se por si, ou seja, o marketing já está feito”. Com efeito, “quem pede um Barca Velha ou um Pêra Manca já sabe ao que vai”.
Assim, o restaurante gourmet Le Coin percorre toda a carta, pois tem uma oferta gastronómica mais abrangente. Os restantes possuem a sua própria carta de vinhos, com algumas das referências consideradas mais apropriadas às comidas: “o Grappa procura, para além das referências italianas, vinhos mais jovens e frutados, com produtos de fácil consumo, adequada para a hora de almoço”. Por sua vez, “o restaurante sushi tem uma tendência para os espumantes, brancos ou rosés”.
A conjugação entre as cartas de vinhos
e a oferta gastronómica é igualmente um apanágio do chef Hélio Loureiro, conhecido pelas harmonizações que produz com os vinhos, com maior destaque para os vinhos do Douro, Porto, Moscatéis e vinhos verdes. A formação da equipa, feita numa base semanal, vai igualmente nesse sentido. Mais ainda,
o Porto Palácio promove regularmente jantares vínicos, de base mensal no Porto Beer e bimensal no Le Coin. •
Uma oferta variada
A garrafeira Mood for Wine contou com um custo de construção de cerca de 35 mil euros e um investimento inicial de 54 mil euros na aquisição de 1500 garrafas, contando com doze variedades de champanhes e espumantes, cerca de 35 opções de vinhos brancos e 145 de tintos, para além das 128 referências de vinho do Porto. Ainda no portfólio de produtos nacionais, aquela garrafeira dispõe de mais de trinta referências de vinhos que vão desde o Moscatel (incluindo o cada vez mais raro Moscael Roxo) ao vinho da Madeira, passando ainda pelas aguardentes vínicas.
Uma vez que se trata de uma oferta voltada para apreciadores e para clientes estrangeiros – estes com forte incidência na taxa de ocupação do Porto Palácio -, a Mood for Wine conta com uma selecção de cerca de seis dezenas de vinhos estrangeiros, onde pontificam o já referido Montrachet Romanée Conti 2002 (Bourgogne – França), os bordaleses Château Lafite Rothschild 2001, Château Latour 2001, Château Margaux 1998 ou Château Petrus 2001. Flor de Pingus 2003 – Ribera del Duero (Espanha), Opus One 2000 Robert Mondavi – Napa Valley (E.U.A.) ou Almaviva 2004 – Concha y Toro (Chile), estão também incluídos.
Para além de apoiar todos os restaurantes do espaço integrado de gastronomia, a Mood for Wine permite aos clientes a aquisição dos néctares mais apreciados com a vantagem de um desconto de 10% sobre o preço da carta. Decanters, copos, termómetros e outros acessórios vínicos estão também disponíveis naquele espaço, que inclui área de conservação climatizada de vinhos tintos e vinho do Porto e três gabinetes de refrigeração para vinhos brancos, espumantes e champanhes, podendo albergar cerca de 3500 garrafas. Com a assinatura de Paulo Lobo, o design da Mood for Wine incide em materiais como o vidro para permitir o acesso visual a clientes e apreciadores que frequentam a área comum do espaço integrado de gastronomia. Para completar a gama de produtos da garrafeira, o Porto Palácio oferece ainda uma carta de águas com cerca de duas dezenas de origens distintas e mais de quarenta referências no que respeita a Whisky, Cognac e Armagnac. •

O MELHOR VINHO DE 2008