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Garrafeira “Tertúlia do vinho”
One live. Drink it well!
Sentindo a premência da criação dum espaço do género em Viana do Castelo e partilhando da ideia que “existe mais filosofia numa garrafa de vinho do que em todos os livros”, o jovem casal portuense Rui Sousa e Ana Magalhães fundou, em 2006, a garrafeira Tertúlia do Vinho, que se dedica também à venda de produtos gourmet. No início, funcionou em apenas 37 m2 na Rua Mateus Barbosa mas, desde Março, está melhor instalada no centro da capital minhota.
Reportagem: Patrick Neves
Nas imiscuídas e embrenhadas artérias do coração histórico vianense, a escassos metros da igreja matriz e numas das ruas que desce em direcção à marginal ribeirinha, a Tertúlia do Vinho fica no rés-do-chão dum antigo prédio, recuperado, onde terá laborado Aurora Lima. As cuidadas e surpreendentes montras, emolduradas a granito, permitem a visibilidade total do interior, dividido em dois patamares de fácil acesso, no qual avultam alguns pormenores decorativos que aliam tradição à modernidade e peças de design criadas pelos proprietários, principalmente de mobiliário. Esta vertente prende-se com o facto de ambos serem formados em Design, Ana Magalhães é especializada em Interiores e Rui Sousa licenciado em Equipamentos, e o gosto revela-se no cuidado com o vitrinismo e na disposição e funcionalidade dos produtos e objectos que tornam a loja prática, acolhedora e apelativa. Do lado esquerdo, a garrafeira integra cerca de 200 referências, principalmente de pequenos produtores, e destaca vinhos nacionais com preços dos 3 a 5 euros, com especial ênfase nos verdes. À direita, o balcão com wine bar, 6 mesas com cadeiras sob um tapete, um aparador com os vinhos abertos à disposição para prova e uma parede negra que permite escrever a giz, incitam à imaginação, ao lazer e à experimentação que, aqui, é incentivada. “O cliente pode degustar o vinho acompanhando um petisco e o espaço foi criado com o duplo objectivo de ir de encontro ao crescente número de apreciadores de vinhos e produtos gourmet na região e tentando colmatar a falta deste tipo de lojas em Viana”, conta Rui Sousa.
Viana do Castelo rendida aos vinhos e produtos gourmet
Enchidos de qualidade, queijos DOP, massas especiais, patés, conservas, compotas, azeites aromatizados e bolos de fabrico tradicional são produtos com os quais os nortenhos estão familiarizados mas, a Tertúlia do Vinho vem, de certo modo, colmatar a lacuna existente na cidade de Viana do Castelo relativamente à centralização deste tipo de oferta. Sob o lema “One life! Drink it well,” propõe uma selecção variada de vinhos nacionais de todas as regiões, e alguns estrangeiros (a pedido dos clientes), principalmente de pequenos produtores mas também das principais marcas vendidas, sendo o principal critério a relação preço/qualidade.
Na doçaria evidenciam-se os rebuçados de ovo de Portalegre, o Pão de Ló de Margaride, os biscoitos de fabrico artesanal e as compotas tradicionais Coisas da Quinta (duma produtora de Arcos de Valdevez) e, aos sábados, a Broa de milho certificada (da mesma localidade) e o Pão de especiarias fazem as delícias acompanhando as conservas Pinhais, os enchidos de porco bísaro da Quinta de Folga (Melgaço) e os atraentes azeites Quinta de São Vicente, de Ferreira do Alentejo. “Estamos ainda a criar condições para incluir venda de vinhos franceses, argentinos e queijos portugueses, designadamente de Serpa, Nisa e Serra da Estrela, bem como de acessórios de vinho”, adverte Rui Sousa, chamando ainda a atenção para os vinhos do Porto, os licores, a ginja de Óbidos, servida em copos de chocolate, e as aguardentes, muito apreciadas pelo povo espanhol.
Conversas à volta do vinho e franchising na Dinamarca
Outra das propostas da loja são as Conversas à volta do vinho realizadas de Junho a Setembro, todas as sextas-feiras, a partir das 21 horas. “Na nossa opinião as pessoas não devem estar presas a uma marca ou a uma região e por isso, aqui, incentivarmo-las, a experimentar”, afirma Ana Magalhães. “Desde o início que promovemos estas sessões e a ideia era que os clientes se entregassem aos sentidos e escrevessem as suas impressões acerca dos vinhos apresentados. Posteriormente, estas seriam compiladas em formato de livro e enviadas aos participantes mas tal tornou-se inviável até porque a primeira acção incluiu um grupo de portugueses, belgas, alemães e colombianos”.
Questionada acerca dum possível franchising em Portugal Ana Magalhães foi esmagadora: “Sentimos que em Portugal já existem marcas suficientes de lojas gourmet pelo que se apostarmos numa nova loja será na Dinamarca mas, por enquanto, está tudo ainda muito no ar”.
Contactos:
Morada: Rua A Aurora do Lima, 77 o 4900-550 Viana do Castelo
Tel: 258838240
Email: geral@tertuliadovinho.com.pt
Site: www.tertuliadovinho.com.pt
Horário: 3ª a 5ª das 10 às 13 e das 15 às 19 h – 6ª e Sáb. das 10 às 13 e das 15 às 22 h
Encerra: Domingo e Segunda (excepto entre Julho e Setembro)
Restaurante “A Carvalheira”
Um santuário em nome dos sabores do alto Minho
Na freguesia de Arcozelo, a poucos minutos do centro histórico da vila de Ponte de Lima, a entrada num pequeno monte que dá acesso ao restaurante A Carvalheira sobressai na verdejante paisagem que acompanha a estrada nacional que percorre a margem direita do rio. Um santuário erigido em nome dos sabores do alto Minho, aqui defendidos na sua mais genuína tipicidade.
Reportagem: Patrick Neves
Na margem direita do rio, a cerca de 2 Km do núcleo medieval de Ponte de Lima e no topo dum monte ensombrado por carvalhos, pinheiros e sobreiros centenários, o restaurante A Carvalheira ergue-se, sem imponências arquitectónicas, há 15 anos em defesa dos aromas e sabores típicos da região. A vista para as montanhas circundantes e o casario é ampla e, o parque de viaturas privativo, evita os problemas de estacionamento comuns na zona durante a realização das etnográficas e seculares Feiras Novas, todos os anos, em Setembro.
Uma eira em granito (utilizada no passado para debulhar o milho) serve de base no exterior à esplanada de 6 mesas, sendo os materiais arrumados num tradicional espigueiro, primorosamente restaurado. Nas horas de calor, opte pelas mesas e bancos em granito instalados no relvado debaixo das árvores, ideais para tomar um aperitivo, usufruindo da paisagem e da suave brisa que corre por entre a vegetação. À entrada da casa destaca-se, nas paredes, artesanato local, distinções e artigos de imprensa sobre A Carvalheira e uma fotografia nocturna da ponte sobre o Lima iluminada, abrindo-se a porta a uma sala de refeições, tipicamente minhota, com 80 lugares e divisórias em pedra, traves de madeira maciça no tecto e uma enorme lareira, fielmente recuperada. Às janelas espreitam artefactos agrícolas antigos, alguns em miniatura, mas o ênfase vai para a garrafeira, apoiada nas embalagens em madeira dos vinhos, e para a mesa central, na qual o proprietário e gerente José Gomes recebe os clientes laminando a preceito presunto ibérico de elevada qualidade e exibindo compotas de Arcos de Valdevez.
Por encomenda, o membro da Confraria do Sarrabulho serve a tradicional receita, Arroz de frango e Cozido à Portuguesa mas as sugestões do chefe são Bacalhau no forno com broa e batata a murro, Pernil de porco com arroz de pimentos e Arroz de Pato solto. Pode ainda optar-se por Cabrito assado, Posta barrosã, Picanha, Peixe cozido ao vapor com algas, Arroz de tamboril, Lampreia em arroz ou à bordalesa (no seu tempo), Peixe fresco grelhado e inúmeras opções de Bacalhau. A acompanhar, vinhos verdes da região (com especial atenção para os da Adega Cooperativa de Ponte de Lima) ou maduros de todo o país, com a melhor selecção.
Em defesa da gastronomia local
Com gestão familiar e a irmã a comandar os destinos da cozinha, José Gomes aposta no fiel cumprimento da gastronomia local não se inibindo nas quantidades. Com Pão de trigo e Broa de Minho sugere, como entradas frias, Ovas de pescada com molho verde, Ovas de bacalhau, Salada de bacalhau com broa, Orelha de porco, Mexilhão e Polvo vinagrete e, a sair do fogão, Feijão com tripas, Alheira com legumes, Misto de enchidos de Ponte de Lima (chouriça sanguinha e de carne), Polvo à galega, Cogumelos ou Favas com fumados, Sonhos ou Pataniscas de bacalhau e Camarão à guilho. Para terminar, os costumados Leite Creme (1º prémio do concurso de gastronomia de Ponte de Lima 2009), Pêra borrachona ou Pudim Abade de Priscos.
Tal como explicou à Nectar José Gomes, que vai inaugurar em breve nos mesmos moldes em Guimarães o restaurante Picadeiro, “a carta mantém-se inalterável há 15 anos em defesa da gastronomia local. Já dispus de mais dois espaços, um em Ponte de Lima e outro na estrada que segue para Braga mas, resolvi retornar à casa-mãe, apostando num segmento de mercado médio-alto e com serviço à carta. Os clientes são habituais e vêm de todas as regiões do país, com assiduidade, sendo também uma casa muito frequentada por espanhóis. São 100m2 de sala com uma lotação máxima de 80 lugares”.
“Se analisarmos por datas, a garrafeira inclui mais de 500 referências de vinho, incidindo nos vinhos verdes embora tenhamos uma cuidada selecção de vinhos maduros de topo, de todas as regiões do país, como é o caso dos Pêra-Manca, Barca Velha e outros”.
Uma eira em granito (utilizada no passado para debulhar o milho) serve de base no exterior à esplanada de 6 mesas, sendo os materiais arrumados num tradicional espigueiro, primorosamente restaurado.
Receita:
Bacalhau no forno com broa e batata a murro
Ingredientes:
600g Bacalhau
1 kg Cebolas
Azeite
Pimentão
Manteiga
Vinho branco
Pimento vermelho
Alho seco
Preparação:
Depois de demolhado, frita-se o bacalhau muito lentamente até que fique quase confitado. De seguida, faz-se uma cebolada com azeite e pimentão, temperando-se a broa com manteiga, alho picado e cebola picada. Depois, cobre-se uma caçarola de barro com a cebolada, o bacalhau e a broa, levando ao forno bem quente para tostar. Acompanha com batata a murro assada.
Contactos:
Morada: Antepaço – Arcozelo o 4990 Ponte de Lima
Tel: 258 742 316 o Fax: 258 944 672
Horário: das 12.00 às 15.00 e das 19.00 às 22.00 h
Encerra: Segunda-Feira
E-mail: restcarvalheira@hotmail.com
Mundus Vini ‘09
Boa presença dos vinhos portugueses
A Alemanha é um país com mais de 80 milhões de habitantes e, na actualidade, possui 103.000 hectares de vinha, tem um consumo de vinho de cerca de 26 litros per capita, sendo 40% do vinho produzido na Alemanha e 60% importado – é o maior país importador de vinhos do mundo.
Reportagem: Bento de Carvalho
O Grande Prémio Internacional de Vinhos Mundus Vini tem beneficiado duma grande notoriedade, por ser o único concurso internacional de vinhos na Alemanha, tendo grande importância para o mercado alemão, porque o objectivo do concurso é evidenciar as excelentes qualidades dos vinhos de diversas categorias, provenientes de várias regiões vitivinícolas do globo e melhorar as possibilidades de comercialização dos vinhos apresentados.
Este prestigiado e reconhecido concurso internacional de vinhos a nível mundial, organizado pelo grupo de editores Meininger Verlag Gmbr, realizou-se em Saalbau, Neustadt nos dias 27-30 de Agosto e 3-4 de Setembro de 2009.
Na 9.ª Edição do Mundus Vini 2009, estiveram presentes 5726 vinhos provenientes de 44 países, tendo havido um aumento de cerca de 8% relativamente aos 5343 vinhos de 41 países que estiveram presentes em 2008. Portugal esteve presente com 322 vinhos (221 tintos, 96 brancos e 15 rosés) contra os 287 representados em 2008.
Os provadores foram colocados em 24 comissões de avaliação, constituídas por 6 elementos em que o número de estrangeiros era superior ao número de elementos de nacionalidade alemã. Foi utilizada uma ficha de classificação, designada internacionalmente por OIV/UIEO de 0-100 pontos sendo as medalhas atribuídas de acordo com as seguintes pontuações: Medalha de Prata 85-89 pontos, Medalha do Ouro 90-94 pontos e Grande Medalha de Ouro 95-100 pontos.
A Organization Internationale de la Vigne et du Vin (OIV) esteve representada pelo director geral Frederico Castelluci e, do júri internacional, fizeram parte Jorge Ricardo da Silva, Bento de Carvalho, Anibal Coutinho e Nelson Rolo. O júri internacional atribuiu aos 5726 vinhos que se apresentaram a concurso 23 grandes medalhas de ouro, 457 medalhas de ouro e 1145 medalhas de prata, tendo Portugal conquistado 21 medalhas de ouro e 64 medalhas de prata (25,60% de vinhos medalhados). Quadro na página seguinte.
Mundus Vini Medalhas Ouro
Quinta do Boição Tinto Special Selection 2006 – Enoport
Catedral Tinto 2005 – Enoport
Quinta de S. João Baptista Syrah 2007 – Enoport
Quinta do Boição Special Selection Branco 2006 – Enoport
Sandeman 20 Years Old Tawny Porto – Sogrape Vinhos
Callabriga Alentejo Tinto 2006 – Sogrape Vinhos
Offley Late Bottled Vintage Porto 2004 – Sogrape Vinhos
Callabriga Reserva Dão Tinto 2005 – Sogrape Vinhos
Quinta de Sant’Ana Reserva Tinto 2006 – Quinta de Sant’Ana
Madeira Boal 1982 – Vinhos Barbeito Madeira
Quinta de Mosteirô Reserva Tinto 2000 – Quinta de Mosteirô
Vale D’Algares Tinto 2007 – Vale D’Algares
Casa de Santar Reserva Dão Tinto 2005 – Quinta de Cabriz
Ermelinda Freitas Touriga Nacional Tinto 2007 – Casa Ermelinda Freitas
Herdade da Comporta Tinto 2006 – Herdade da Comporta
Conde de Vimioso Tinto 2007 – Falua Sociedade de Vinhos
Vinhas da Ira Tinto 2005 – Henrique José de La Puente Sancho Uva
Different Red 2006 Encosta do Sobral – Sociedade Agricola
Terra D’Alter Reserva Branco 2008 – Terras de Alter Companhia de Vinhos
Plansel Selecta Touriga Nacional Colh. Selec. Tinto 2007 – Quinta da Plansel
Soberana Tinto 2005 – Soc. Agro-Pecuária das Soberanas
Mundus Vini Medalhas Prata
Dom Fuas Tinto 2005 - Enoport
Romeira Colheita Seleccionada Tinto 2008 – Enoport
Encostas do Douro Tinto 2005 – Enoport
Quinta do Boição Escolha Tinto – Enoport
Quinta do Boição Espumante Reserva Arinto 2007 – Enoport
Cardeal Reserva Touriga Nacional Tinto 2007 – Enoport
Bucelas Branco 2008 – Enoport
Grand’ Arte Alicante Bouschet Tinto 2006 – DFJ Vinhos
Casa do Lago Tinto 2006 – DFJ Vinhos
Point West Tinto 2005 – DFJ Vinhos
Pedras do Monte Tinto 2005 – DFJ Vinhos
Terras d’Alter Fado Branco 2008 – Terras de Alter Companhia de Vinhos
Terras d’Alter Alicante Bouschet Tinto 2007 - Terras de Alter Companhia de Vinhos
Terras d’Alter Reserva Tinto 2007 – Terras de Alter Companhia de Vinhos
Ermelinda Freitas Reserva Tinto 2007 – Casa Ermelinda Freitas, Vinhos
Ermelinda Freitas Touriga/Syrah 2007 – Casa Ermelinda Freitas, Vinhos
Ermelinda Freitas Syrah 2007 – Casa Ermelinda Freitas, Vinhos
Guarda Rios Tinto 2007 – Vale D’Algares
Vale D’Alagares Selection Branco 2008 – Vale D’Algares
Vale D’Alagares Vinho Mesa Branco 2007 – Vale D’Algares
Brutalis “2nd bottling” Tinto 2005 – Caves Vidigal
Vidigal Reserva Tinto 2007 – Caves Vidigal
Vidigal Tinto 2005 – Caves Vidigal
Marquês de Marialva Rosé 2008 – Adega Cooperativa de Cantanhede
Marquês de Marialva Branco 2008 – Adega Cooperativa de Cantanhede
Montes Claros Reserva Branco 2007 - Adega Cooperativa de Borba
Adegaborba.pt Reserva Tinto 2006 – Adega Cooperativa de Borba
Arrepiado Tinto 2006 – Soc. Agricola Herdade do Arrepiado Velho
Fosco Tinto – Soc. Agricola Herdade do Arrepiado Velho
Vale Perdido Tinto 2008 – Casa Santos Lima
Bons Ventos Tinto 2008 – Casa Santos Lima
Sandeman Vau Vintage Porto 2000 – Sogrape Vinhos
Callabriga Douro Tinto 2006 – Sogrape Vinhos
Quinta da Pinheira Tinto 2006 – Marcolino Sebo
Visconde de Borba Reserva Tinto 2006 – Marcolino Sebo
Periquita Reserva Tinto 2006 – José Maria da Fonseca
Periquita Tinto 2006 – José Maria da Fonseca
Vinha do Almo Homenagem Tinto 2006 – Herdade do Perdigão
Herdade do Perdigão Reserva Tinto 2006 – Herdade do Perdigão
Aliança Particular Tinto 2006 – Aliança, Vinhos de Portugal
Aliança Reserva Tinto 2006 – Aliança, Vinhos de Portugal
Herdade das Servas Vinhas Velhas Tinto 2005 – Serrano Mira Sociedade Vinicola
VT’06 Douro Tinto 2006 – PV, Produção e Comercio Produtos Vinícolas
Reserva Tinto 2007 – Sociedade dos Vinhos Borges
Régia Colheita Reserva Tinto 2006 – Carmim
Malvasia 20 anos – Vinhos Barbeito Madeira
Conde D’Ervideira Reserva Branco 2008 – Ervideira, Soc. Agricola
Quinta da Gaivosa Tinto 2005 – Alves de Sousa – Quinta da Gaivosa
Porta da Ravessa Branco 2008 – Adega Coop. de Redondo
Três Bagos Tinto 2005 – Lavradores de Feitoria
Evel Branco 2008 – Real Companhia Velha
Herdade dos Grous Branco 2008 – Herdade dos Grous
Calheiros Cruz Reserva Tinto 2007 – Sensi Wine
Quinta das Tecedeiras Reserva Tinto 2007 – Quinta de Cabriz
Adega de Favaios Moscatel Colheita 1989 – Adega Coop. de Favaios
Bento Nuno Reserva Tinto 2007 – GOANVI
Torre do Frade Reserva Tinto 2005 – S.A. da Torre de Curvo
Montes Claros Garrafeira Tinto 2005 – Adega Coop.de Borba
Encosta do Sobral Reserva Tinto 2006 – Encosta do Sobral-Sociedade Agricola
Tinto da Talha Tinto 2006 – Roquevale
DR Vintage 2007 – Agri-Roncão Vinicola
Altas Quintas Tinto Reserva 2004 – Altas Quintas
Cadouços Natur Tinto 2007 – Herdade de Cadouços
Plansel Selecta Touriga Franca Colh. Selec. Tinto 2007 – Quinta da Plansel
A emergência do ajuntador
Gerir as Caves Quinta do Pocinho como se tratasse de uma adega cooperativa, com mais de 500 pequenos produtores, uma carteira de mais de 1700 contactos, sendo responsável por três por cento da produção anual de Vinho do Porto é o trabalho diário de José Carlos Dias. A reportagem da NÉCTAR passou um dia na sua agradável companhia e nestas páginas deixamos ficar um pequeno retrato de uma figura muito humana. Acredite o leitor que uma visita às Caves Quinta do Pocinho é mais do que justificável. Pelo vinho superior que produz mas, também, para dois dedos de conversa com alguém que sabe, a fundo, das coisas do vinho.
Reportagem: Luis Branco Barros
O produtor de vinho José Carlos Dias é uma das mais simpáticas personalidades do Douro Superior. O valor humano, que deixa transparecer no trato fino e próximo, revela-nos um homem que subiu a pulso na vida para fazer, desde há uns anos a esta parte, o que mais gosta, da forma que mais gosta.
O seu percurso profissional principia aos 18 anos, quando inicia um estágio na Escola Agrícola do Dão e, daí, após passagem pela Casa do Douro, percorre várias empresas exportadoras de vinho, admitindo que ainda hoje sabe “pouquinho” da produção.
Ajuntador, termo praticado na região, é o que melhor define José Carlos Dias. Trabalha com mais de 500 pequenos produtores de vinho, dos quais recolhe as uvas para as tratar e entregar o vinho a uma das maiores casas de Vinho do Porto do país. O seu maior fornecedor, confessa, é o seu próprio pai, que lhe entrega o equivalente a 100 pipas por ano. A gestão desta carteira de contactos é, assegura, colossal. Quando o seu telemóvel avariou ficou sem mais de 1700 números de telefone. “Há alturas em que só atender o telefone já é exaustivo”, revela o produtor.
Como repete frequentemente na entrevista que concedeu à revista Nectar, ainda não herdou nada e se a empresa Caves Quinta do Pocinho está entre as maiores produtoras de vinho do Douro Superior, isso deve-se ao esforço do seu proprietário. Após o aval inicial dos pais num pequeno empréstimo bancário, José Carlos Dias nunca mais precisou de ajudas externas para fazer avançar com a sua empresa.
Em vez de optar pela candidatura a fundos comunitários, prefere investir à medida que dispõe de capacidade financeira. Resultado: em vez de executar um projecto de valor superior a 1,2 milhões de euros, investiu cerca de 300 mil euros em equipamento usado proveniente das melhores casas produtoras. É assim que as cubas em inox, que durante uma década produziu o famoso Barca Velha, lhe vieram parar às mãos. Quando comprou este centro de vinificação, diz, não existia na propriedade “uma única vasilha em aço inoxidável”. Actualmente, o seu património ultrapassa os 1,3 milhões de litros de capacidade em aço inoxidável, “tudo usado, adquirido à medida que ia podendo”.
Apesar da dedicação que lhe merece as Caves Quinta do Pocinho, ainda mantém algumas consultorias em empresas do ramo.
Margens de comercialização pequenas garantem confiança
As instalações das Caves Quinta do Pocinho, estrategicamente localizadas junto à Estação dos Caminhos-de-Ferro, já trabalham como centro de vinificação “há mais de 100 anos”. José Carlos Dias afirma saber que a propriedade, “em 1908, era do senhor Robertson, que a vendeu à Sandeman na década de 60″. Esta empresa familiar, que já vai na quinta geração, “vinificou aqui até 1993″ altura em que encerram a unidade. O relacionamento profissional entre José Carlos Dias e o então director-técnico da Sandeman permitiu-lhe tomar conhecimento das intenções da empresa em se desfazer do centro de vinificação. A primeira reunião relativa à intenção de compra ocorre em 1996 iniciando-se, em simultâneo, uma relação comercial que ainda se mantém. A Quinta do Pocinho “vende o grosso do vinho do Porto” à Sandeman, apesar de não ter sido rubricado qualquer acordo nesse sentido entre as duas empresas.
E nem mesmo a venda, pela Seagram’s, da Sandeman ao grupo Sogrape trouxe qualquer alteração nesta relação comercial, antes pelo contrário. José Carlos Dias revela ter aumentado o volume de produção de vinho, cujos excedentes, “por acordo e em sintonia” com a Sogrape, que considera “a mãe” da sua pequena estrutura, são vendidos à Taylor’s e a outras marcas. Cerca de três por cento da produção anual de vinho do Porto é da sua responsabilidade. O destino: Sogrape. São cerca de 3500 pipas por ano. O ajuntador destaca a confiança como a principal característica da sua produção, aliada a baixas margens de lucro. “Limitamo-nos a ganhar muito pouco”, afirma José Carlos Dias.
Investimento impede salto para o patamar da excelência
Relativamente à sua marca, os vinhos Perdigota, afirma ser uma forma de garantir o emprego da sua equipa ao longo de todo o ano. Das Caves Quinta do Pocinho saem, todos os meses, cerca de 50 mil litros de vinho Perdigota, para uma produção anual aproximadamente de 1000 pipas, maioritariamente de tinto. Por se estar numa região muito quente, José Carlos Dias prefere fazer pouco vinho de mesa branco.
Confortado pelos grandes volumes produzidos e pela qualidade dos seus clientes, este produtor trabalha, igualmente, com margens “muito pequenas”. Num universo de pequenos ajuntadores da região, a Quinta do Pocinho é, inclusive, uma das maiores empresas em termos de quota de mercado de vinho do Porto.
A maior parte das vendas do vinho de mesa é efectuada em bag-in-box de 5 e 10 litros, embora também comercialize o Perdigota em garrafa e em bag-in-box de 3 litros, nomeadamente o Douro DOC.
Este vinho, que já foi premiado, nomeadamente no concurso de Torre do Moncorvo em Setembro de 2008, revela a qualidade intrínseca do produto, embora José Carlos Dias reconheça ainda não estar a trabalhar “no patamar da excelência”. Os custos para subir de nível são, na sua opinião, muito elevados. “Mais pessoal, mais tecnologia” que são incompatíveis com a estrutura actual da Quinta do Pocinho. Por outro lado, “o mercado está tão difícil” que essa ascensão ao patamar da excelência poderia não ter reflexo no volume de negócios. Mantém-se, assim, a “produzir o vinho do Porto para as casas exportadoras que o necessitam”, por não querer dar um passo maior do que a própria perna.
Admite acreditar pouco “nos vinhos engarrafados” do Douro, muito pelo excesso de marcas que continuam a nascer. Prefere investir “mais em equipamentos, em capacidade e em tecnologia para venda a granel às empresas que já têm posicionamento garantido no mercado”. A Sogrape está presente em quase todos os países mundiais e a Taylor’s, quando por lá passou há 22 anos, já vendia para 74 países.
“E eu tenho consciência que não tenho dimensão” no actual clima de globalização. E dá como exemplo a “água doce com gás e caramelo” que é possível encontrar em todo o mundo por intermédio de duas marcas. Mesmo descontando algumas marcas secundárias locais, não ultrapassarão as duas dezenas. “O Douro tem 3000 marcas” de vinho, afirma. “Amanhã poderemos crescer, mas só se nos for solicitado”, acrescenta o produtor, negando-se a entrar nesse universo multimarca que exige muito investimento.
Para o Perdigota, o produtor gostava de encontrar “um distribuidor sério” que quisesse fazer o trabalho que José Carlos Dias reconhece não ser capaz de fazer: comercializar e distribuir. Um “bom distribuidor”, sólido e capaz de lhe assegurar os melhores canais e que lhe eliminasse algumas das contas por pagar que tem. “Se recebesse tudo o que me devem, dava para passar um ano no Brasil num hotel de cinco estrelas”.
Mas, conforme repete constantemente, a ambição é “trabalhar para as casas exportadoras e o resto é tudo acessório”.
Ajuntador, termo praticado na região, é o que melhor define José Carlos Dias. Trabalha com mais de 500 pequenos produtores de vinho, dos quais recolhe as uvas para as tratar e entregar o vinho a uma das maiores casas de Vinho do Porto do país. O seu maior fornecedor, confessa, é o seu próprio pai, que lhe entrega o equivalente a 100 pipas por ano. A gestão desta carteira de contactos é, assegura, colossal.
